Leilão de energia solar tem forte interesse e anima governo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015 20:00 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de energia solar desta sexta-feira teve um deságio de 13,5 por cento, o maior registrado em contratações realizadas pelo governo desde o último certame voltado para as usinas fotovoltaicas, em outubro passado, e animou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a anunciar que haverá licitações anuais voltadas a essa fonte.

"O que a gente quer sinalizar é que haverá leilões anuais. Não necessariamente dois, como neste ano, mas essa sinalização é importante para dar tranquilidade aos investidores, aos fabricantes, de que eles podem instalar fábrica no Brasil porque terá demanda de equipamentos para eles", disse a jornalistas o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim.

Segundo ele, o governo considerou o certame um grande sucesso, acima das expectativas, com um preço final, de 301,79 reais por megawatt-hora, próximo aos menores já registrados no mundo para a energia solar.

O deságio foi o maior verificado em leilões do governo desde dezembro de 2012, à exceção de um certame em outubro de 2014 que também teve apenas usinas fotovoltaicas na competição, refletindo o forte interesse dos investidores pela energia solar, cujo processo de licenciamento e construção é mais ágil e simples, e que conta com um mercado de equipamentos aquecido, que tem tornado a fonte cada vez mais competitiva.

O setor solar é ainda um dos que mais atrai interesse dos investidores em um momento em que o Brasil vê a economia entrar em recessão e caminha para ter o pior desempenho da atividade em 25 anos.

"O sistema de leilões adotado no Brasil traz muita segurança ao investidor porque, uma vez que eu ganhei o leilão e construí o parque, tenho aquela receita garantida faça chuva ou faça sol, a economia cresça ou não, o que é muito diferente de qualquer setor", afirmou Tolmasquim, para justificar a grande competição.

O presidente da EPE também destacou a presença de grandes nomes internacionais entre os vencedores, como a norte-americana SunEdison, em uma joint venture com a Renova, da Cemig, a italiana Enel Green Power e a canadense Canadian Solar, o que traz "maior tranquilidade" quanto à viabilização das usinas.

Os 1.043 megawatts em capacidade instalada viabilizados demandarão investimentos de 4,3 bilhões de reais, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com empreendimentos em cinco Estados --Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Tocantins.   Continuação...