Meta de primário de 2015 será "muito difícil" e, sem CPMF, alvo de 2016 não fecha, diz fonte da equipe econômica

sexta-feira, 28 de agosto de 2015 21:26 BRT
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O cumprimento da nova meta de superávit primário de 2015 está "muito difícil" e, sem a volta da cobrança da CPMF, o governo não atingirá o alvo fiscal de 2016, disse à Reuters uma importante fonte da equipe econômica nesta sexta-feira, acrescentando que no próximo ano o governo não fará novos investimentos diante da forte restrição orçamentária, em meio à recessão econômica.

"É muito difícil (cumprir a meta de primário deste ano)", disse a fonte, que pediu anonimato. 

Segundo ele, mesmo após vários aumentos de tributos e cortes severos na despesa, o governo não está conseguindo reverter o déficit primário. A meta para a economia feita para pagamento de juros da dívida deste ano foi reduzida em julho a 8,747 bilhões de reais, equivalente a 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Ainda que com um duro ajuste fiscal em curso, em 12 meses encerrados em julho, o rombo primário estava negativo em 0,89 por cento do PIB.

Colocando que a queda na arrecadação pela recessão econômica vai afetar também os resultados de 2016, a fonte disse que sem a volta da cobrança da CPMF, o governo não vai atingir a meta de superávit primário de 2016.

"Sem a CPMF não há condição de cumprir a meta em 2016".

O alvo fiscal de 2016 que constará na proposta de lei orçamentária a ser apresentada na segunda-feira para o próximo ano é de 0,7 por cento do PIB, como o governo já havia anunciado antes.

A fonte disse que o governo enviará ao Congresso a proposta de recriação do tributo incidente sobre a movimentação financeira com alíquota de 0,38 por cento e que o tributo terá prazo definido, mas não informou qual.

Na visão da fonte, o Orçamento apertado para o próximo ano vai vencer as resistências das lideranças políticas contrárias à volta do tributo. "Na hora que os números do Orçamento forem colocados, todo mundo vai entender que o governo está fazendo um enorme esforço de contenção de despesa.”   Continuação...