BNDES aposta em mais debêntures incentivadas ao setor elétrico nos próximos anos

segunda-feira, 31 de agosto de 2015 13:14 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não enfrenta escassez de recursos para financiar o setor elétrico, uma queixa recorrente do elétricas atualmente, mas tem buscado fomentar alternativas de captação para as empresas, como debêntures incentivadas, que devem ganhar força no próximos anos com uma esperada redução nas taxas de juros.

A avaliação é do superintendente da área de infraestrutura da instituição, Nelson Siffert, que disse nesta segunda-feira que o BNDES prevê 1 bilhão em emissões desses papéis pelo setor neste ano, um número ainda considerado baixo perto do potencial.

"Devemos desembolsar cerca de 20 bilhões de reais (em financiamentos) neste ano (ao setor elétrico). O BNDES tem mantido os projetos em andamento contratados, não há uma escassez de recursos do banco de forma nenhuma. O que está havendo é uma tentativa de atrair o mercado de capitais, e entendemos que isso está sendo bem-sucedido", disse Siffert, durante evento em São Paulo.

Apesar de críticas de investidores de que houve retração na participação do BNDES nos financiamentos para energia elétrica, a expectativa revelada por Siffert representa alta de 8,4 por cento ante 2014, quando o banco de fomento desembolsou 18,45 bilhões de reais para o segmento. O maior valor em liberações ao setor foi de 18,99 bilhões de reais, em 2013.

A emissão de debêntures está dentro de um novo modelo de concessão de empréstimos pelo BNDES, que condiciona a tomada de recursos atrelados à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) por grandes empresas ao uso de instrumentos de mercado de capitais.

Pelas novas regras, empresas com receita bruta anual acima de 1 bilhão de reais e que tomarem a partir de 200 milhões de reais no BNDES só terão direito a usar a taxa subsidiada do banco se emitirem debêntures ou outros papéis no mercado.

O executivo admitiu, no entanto, que as emissões de debêntures de infraestrutura ainda têm sido prejudicadas pela alta taxa de juros, que tem feito as empresas adiarem operações.

No futuro, porém, quando as condições forem mais favoráveis, o banco não descarta reduzir ainda mais a participação nos financiamentos ao setor, em prol de maiores captações via mercado.

"Quando a taxa de juros cair, e imaginamos que ela venha a cair de forma expressiva nos próximos anos, o mercado de capitais vai poder ter um papel mais proeminente. A tendência é aumentar a participação via debêntures à medida que a taxa de juros cair e a Selix se aproximar da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP)", explicou.   Continuação...