Governo prevê déficit primário em 2016 e dívida bruta avançando a 68,8% do PIB em 2017

segunda-feira, 31 de agosto de 2015 17:59 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A proposta do Orçamento da União de 2016 apresentada nesta segunda-feira prevê um déficit primário consolidado equivalente a 0,34 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento da dívida bruta até 2017, ameaçando o selo do país de bom pagador junto a investidores internacionais.

O rombo nas contas públicas previsto para o ano que vem é resultado da fraca arrecadação em meio à uma economia anêmica e do fracasso do Executivo em ressuscitar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), ideia que foi abortada diante da resistência do Congresso e do empresariado.

O governo federal sozinho deverá ter no ano que vem um saldo negativo entre receitas e despesas de 30,5 bilhões de reais, ou 0,5 por cento do PIB. O dado fiscal consolidado inclui o resultado de Estados e municípios.

"Não será possível cumprir nossa meta de primário de 2016", disse o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, referindo-se ao objetivo até então de gerar um superávit primário consolidado, a economia feita pelo governo para pagamento de juros da dívida pública, de 0,7 por cento do PIB no próximo ano.

O déficit da União projetado para 2016, num cenário de crescimento modesto da economia de 0,2 por cento, considera uma receita líquida total de 1,18 trilhão de reais e uma despesa de 1,21 trilhão de reais. É a primeira vez que o Executivo entrega ao Congresso uma proposta orçamentária com previsão de fechar as contas no vermelho.

O déficit no regime geral da Previdência deve saltar a 124,9 bilhões de reais em 2016, contra resultado negativo de 88,9 bilhões de reais projetado para o atual exercício.

Os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o ano que vem são estimados em 42,4 bilhões de reais, dos quais 15,6 bilhões de reais no Minha Casa, Minha Vida.

DÍVIDA ASCENDENTE   Continuação...

 
Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, após reunião no Senado. 25/8/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino