Dólar sobe quase 6% em agosto e vai a R$3,62, maior patamar desde 2003

segunda-feira, 31 de agosto de 2015 18:02 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 1 por cento ante o real nesta segunda-feira e encerrou agosto no maior patamar desde fevereiro de 2003, no patamar de 3,62 reais, pressionado pelo cenário interno conturbado e por incertezas externas, fatores que devem manter a moeda norte-americana em alta.

Operadores ressaltaram, contudo, que o mercado está propenso a exageros. Embora não descartem a possibilidade de o dólar aproximar de 4 reais nos próximos meses, a tendência é, segundo eles, que termine o ano acima dos níveis atuais, mas longe dos picos que atingir no curtíssimo prazo.

O dólar avançou 1,17 por cento, a 3,6271 reais na venda, maior nível desde 27 fevereiro de 2003 (3,662 reais), e acumulou alta de 5,91 por cento em agosto. No ano, a moeda norte-americana acumula avanço de 36,42 por cento.

"O mercado percebeu que o dólar está muito sensível e qualquer notícia relacionada a agências de classificação de risco deve impulsionar (a moeda)", disse o operador de câmbio da corretora Spinelli José Carlos Amado, referindo-se à perspectiva de perda do selo de bom pagador.

"Mas, se o dólar chegar perto de 4 reais, acredito que apareçam vendas, principalmente da parte de estrangeiros", acrescentou.

Preocupações com o cenário político no Brasil e a economia local, de um lado, e com a desaceleração da economia chinesa e a perspectiva de alta de juros nos Estados Unidos, do outro, vêm levando especialistas a prever ainda mais altas do dólar.

Nesta sessão, a apreensão ganhou força com a notícia de que o Orçamento enviado pelo governo ao Congresso para 2016 projeta déficit primário de 30,5 bilhões de reais para o ano que vem. Investidores entenderam que essa decisão deixaria o Brasil mais próximo de perder seu grau de investimento, o que provocaria intensa fuga de capitais dos mercados locais.

"Não há nada de animador, nada de boas notícias", disse o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca. "Desde que me entendo por gente, este está sendo um dos piores momentos para o mercado financeiro".   Continuação...