CORREÇÃO-Dólar sobe mais de 1,5% e encosta em R$3,70, maior nível em 13 anos, com quadro fiscal e China

terça-feira, 1 de setembro de 2015 19:35 BRT
 

(Corrige título para esclarecer que o dólar subiu mais de 1,5%, não 2%)

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 1,5 por cento nesta terça-feira e fechou encostado em 3,70 reais, refletindo a aversão ao risco nos mercados externos diante de renovadas preocupações com a China e nervosismo com a possibilidade de o Brasil perder seu selo de bom pagador diante da deterioração das contas públicas.

O dólar avançou 1,68 por cento, a 3,6880 reais na venda, após encerrar agosto com alta de 5,91 por cento e acumular no ano valorização de 36 por cento.

Trata-se do maior nível de fechamento desde 13 de dezembro de 2002 (3,735 reais). Na máxima do dia, a divisa norte-americana alcançou 3,7048 reais, maior patamar intradia desde 13 de dezembro de 2002 (3,7750 reais).

"Se agosto foi ruim, setembro começa tão mal quanto", escreveu em nota a cliente o operador da corretora SLW João Paulo De Gracia Corrêa.

A atividade no setor industrial da China encolheu à taxa mais forte em ao menos três anos em agosto, mostrou o índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial. Preocupações com a economia chinesa, referência para investidores em mercados emergentes e importante parceiro comercial do Brasil, têm provocado apreensão nos mercados globais.

No Brasil, o mercado demonstrava cada vez mais nervosismo sobre a perspectiva de perda do selo de bom pagador do país diante da deterioração das contas públicas do país. "O mercado está apostando que o grau de investimento cai até o fim do ano", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Em relatório intitulado "Admitindo a Derrota", a estrategista para a América Latina do grupo financeiro Jefferies, Siobhan Morden, afirmou que, ao admitir déficit primário para o ano que vem, o governo "completamente paralisa o processo de ajuste". Ela ressaltou ainda que eventual saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do governo não seria mais uma surpresa tão grande quanto há alguns meses.   Continuação...