Projeção de déficit primário ressalta dificuldades fiscais do Brasil, dizem agências

terça-feira, 1 de setembro de 2015 18:02 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As mudanças no cenário fiscal para 2016 anunciadas na véspera pelo governo brasileiro indicam tendência de superávit primário muito abaixo do cenário-base usado pela agência de classificação de risco Fitch na última revisão do rating soberano, enquanto para a Moody's o passo reflete os desafios fiscais do país.

"Essas revisões para baixo colocam a tendência de obtenção de superávits primários muito abaixo do cenário-base usado pela Fitch em abril", disse a analista Shelly Shetty, da Fitch, em comentário por e-mail, referindo-se ao momento em que revisou a perspectiva do rating do Brasil para "negativa", mantendo a classificação em "BBB", penúltima nota dentro da faixa considerada como grau de investimento.

"A trajetória de crescimento e as dinâmicas fiscal e de dívida vão determinar o futuro dos ratings do Brasil", disse.

Na segunda-feira, o governo apresentou ao Congresso Nacional proposta orçamentária com previsão de déficit primário da União de 30,5 bilhões de reais, em meio a um cenário recessivo e de dificuldades para aprovar medidas de ajuste fiscal.

"O orçamento de 2016, assim como as projeções oficiais revisadas para 2015, refletem os desafios fiscais que o Brasil continua a enfrentar, um importante motivador para o corte do rating para 'Baa3' em agosto", disse o analista sênior da Moody's, Mauro Leos, em comunicado.

No início do mês, a Moody's rebaixou o rating do Brasil para "Baa3", último nível dentro da faixa considerada como grau de investimento, mas melhorou a perspectiva da nota para "estável" ante "negativa".

"A revisão do alvo para um déficit primário no próximo ano, que vem após revisão para baixo de julho das metas de superávit primário para os próximos anos, destaca a dificuldade que o Brasil está enfrentando na consolidação fiscal", acrescentou a analista da Fitch.

A Fitch é a única das três maiores agências de classificação de risco que ainda coloca o Brasil dois degraus acima do nível especulativo. Na Moody's e na Standard & Poor's, o Brasil está a um degrau de perder o selo de bom pagador.

(Por Flavia Bohone)