Dilma admite que défict é ruim e promete que governo vai agir para reduzir rombo

quarta-feira, 2 de setembro de 2015 15:12 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff admitiu nesta quarta-feira que o déficit primário previsto no Orçamento enviado ao Congresso é ruim, mas garantiu que o governo não vai “fugir da sua responsabilidade” e tomará medidas para reduzir o rombo nas contas públicas.

Em entrevista ao final de uma cerimônia no Palácio do Planalto, a presidente admitiu que o governo enviará um adendo ao Orçamento e não descartou retomar a discussão sobre a recriação da CPMF.

“Todo déficit é ruim. Eu não vou concordar com o desastroso, mas todo déficit é ruim", disse. O Executivo enviou ao Congresso, na segunda-feira, a peça orçamentária para 2016 com previsão de déficit primário de 30,5 bilhões de reais.

"Se a gente achasse o déficit bom, nós iríamos abraçá-lo, nós não abraçamos o déficit, nós queremos resolver o problema do déficit. Nós vamos buscar medidas para resolver o déficit”, afirmou a presidente, ao responder se concordava com avaliações de que o rombo no Orçamento seria “desastroso”.

Dilma garantiu que o governo irá mandar um adendo do Orçamento ao Congresso, assim que a “discussão estiver madura”.

“O governo vai de fato mandar, e é responsabilidade dele. Nós não queremos transferir essa responsabilidade para ninguém, o que nós queremos é construir juntos”, disse. Na terça-feira, a presidente teve encontros com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e obteve a garantia de que o Congresso não vai devolver o orçamento.

Os dois parlamentares disseram à presidente, no entanto, que o Congresso não vai assumir o ônus de fazer cortes radicais ou criar novos impostos por conta própria, e esperariam a orientação do Planalto.

A presidente admitiu que a recriação da CPMF, aparentemente enterrada depois de uma última tentativa que teve péssima receptividade no Congresso, entre os empresários e mesmo em partes do governo, não está descartada.

Dilma confessou que não gosta o tributo, mas que não pode excluir nada nesse momento. “Eu não estou afastando, nem acrescentando nada. Eu não gosto da CPMF. Acho que a CPMF tem suas complicações. Mas não estou afastando a necessidade de fontes de receita, não estou afastando nenhuma fonte de receita. Quero deixar isso claro, porque se houver a hipótese de a gente enviar essa fonte, nós enviaremos”, afirmou.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff durante evento no Palácio do Planalto. 2/9/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino