Indústria de defensivos projeta queda nas vendas mesmo com safra recorde

quarta-feira, 2 de setembro de 2015 16:23 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O setor de defensivos agrícolas se prepara para um segundo semestre de vendas reduzidas, mesmo em meio ao plantio de uma safra de grãos recorde, devido a efeitos da alta do dólar e de estoques acumulados pelos produtores rurais.

"Como teve infestação (de pragas) mais baixa que o esperado na última safra, os agricultores estão estocados, principalmente de herbicidas e inseticidas. Isso deve refletir em baixa nas vendas", disse à Reuters a vice-presidente-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Silvia Fagnani.

Ao contrário de sementes e fertilizantes, cujas compras e entregas precisam ser praticamente finalizadas antes do plantio, a demanda por produtos como herbicidas, inseticidas e fungicidas flutua ao longo da safra, de acordo com a ocorrência de pragas e doenças nas lavouras.

O faturamento com as vendas de defensivos entre janeiro e junho ficaram em 2,7 bilhões de dólares, 25 por cento abaixo do mesmo período de 2014, segundo estatísticas recentes do Sindiveg.

"Essa tendência deve se confirmar também no segundo semestre", disse a executiva.

O Brasil começa a plantar em meados deste mês a safra de soja 2015/16, que segundo consultorias deverá ter uma leve elevação de área.

Da queda registrada no primeiro semestre, segundo o sindicato, 15 pontos percentuais aproximadamente foram decorrentes da alta do dólar, que encarece os produtos.

Boa parte das matérias-primas usadas na formulação são importadas. O dólar acumula alta de mais de 60 por cento ante o real nos últimos 12 meses.   Continuação...