BC interrompe ciclo de alta e sinaliza juros a 14,25% por período prolongado

quarta-feira, 2 de setembro de 2015 22:09 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada, interrompendo o ciclo de aperto monetário iniciado em outubro do ano passado e reforçando a sinalização de que a Selic permanecerá nesse patamar por um período significativo.

Em comunicado que repete o texto da reunião anterior, o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou a necessidade de manter os juros nesse percentual por um "período suficientemente prolongado" para levar a inflação à meta no fim de 2016 e afirmou que a decisão aconteceu "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos"

"O Copom permanece inclinado a continuar em compasso de espera no curto prazo, apesar dos recentes desenvolvimentos nos campos cambial e fiscal negativos para a inflação, já que eles podem ter sido parcial ou totalmente mitigados pelo cenário de deterioração das perspectivas para a economia e o mercado de trabalho", avaliou o economista do Goldman Sachs Alberto Ramos.

Pesquisa da Reuters mostrou que 29 de 30 economistas consultados previam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deixaria a Selic inalterada.

O BC iniciou o ciclo de aperto em outubro passado e, de lá para cá, foram sete elevações na taxa básica de juros que somaram 3,25 pontos percentuais, levando a Selic para o maior patamar em nove anos, em uma tentativa de conter a aceleração da inflação.

O BC já havia sinalizado o fim do ciclo de aperto monetário, mas fizera alertas sobre a necessidade de manter-se vigilante em caso de desvios significativos das expectativas de inflação.

O discurso de atenção foi reforçado recentemente pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, ao afirmar no fim de agosto que a política monetária terá viés conservador por período prolongado e que é preciso "muita calma", "sangue frio", "paciência" e "perseverança" neste processo.

A economia brasileira está em uma situação difícil. De um lado, o país entrou em recessão, que deve se estender até o próximo ano, segundo expectativas do mercado.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília 26/05/ 2015. REUTERS/Ueslei Marcelino