BCE deve cortar projeção de inflação e indicar mais medidas de política monetária

quinta-feira, 3 de setembro de 2015 09:16 BRT
 

Por John O'Donnell e Francesco Canepa

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) deve reduzir suas projeções de inflação nesta quinta-feira, mas não tomou ações concretas de política monetária, prometendo apenas reforçar seu programa de compra de títulos se as perspectivas de crescimento e inflação enfraquecerem mais.

O BCE, que manteve as taxas de juros inalteradas em uma decisão amplamente prevista, deve dizer que a chance de não atingir sua meta de inflação no médio prazo cresceu devido aos preços baixos de petróleo e ao crescimento mais fraco na China, além da apreciação do euro.

No entanto, o banco central provavelmente também argumentará que seu programa de compra de ativos de mais de 1 trilhão de euros está funcionando, ainda que lentamente, e que o momento ainda não é certo para que adote mais ações de política, apesar de ter o poder de ampliar as compras.

Durante sua entrevista à imprensa às 9h30(horário de Brasília), o presidente do BCE, Mario Draghi, deve anunciar as novas projeções da equipe do BCE de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação, e também discutir questões como a desaceleração econômica da China, as compras de ativos e o segundo corte da assistência emergencial de liquidez (ELA, na sigla em inglês) para a Grécia.

O BCE lançou o programa de estímulo --conhecido como "quantitative easing"-- de 60 bilhões de euros por mês em março para impulsionar os preços ao consumidor após um pequeno período de deflação.

No entanto, quase todas as principais influências para a alta dos preços têm trabalhado contra seus esforços de levar a inflação, hoje em 0,2 por cento, de volta à meta de pouco abaixo de 2 por cento.

A maioria dos analistas que participaram de pesquisa da Reuters espera que o BCE eventualmente prorrogue ou aumente suas compras de ativos. Três quartos disseram que o banco simplesmente não tem mais ferramentas e que ajustar o programa de estímulo, que tem previsão de ser executado até setembro do ano que vem, é sua única opção viável.