Governo prepara cortes para atenuar déficit e preservará programas sociais, diz ministro

quinta-feira, 3 de setembro de 2015 20:14 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo vai preparar novas propostas de cortes para tentar minimizar o déficit de 30,5 bilhões de reais previsto no Orçamento da União enviado ao Congresso, mas irá preservar os programas sociais, disse à Reuters nesta quinta-feira o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva.

“O governo vai, sem desorganizar as políticas publicas que têm impacto social, sem desorganizar os principais programas do governo, sem colocar em risco avanços para população menos favorecida, o governo vai apresentar propostas de corte”, disse o ministro.

Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff teve encontros com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para pedir que o Congresso trabalhe em conjunto com o Executivo para resolver o problema do orçamento deficitário.

Os dois parlamentares garantiram à presidente que não devolverão a peça orçamentária, como chegou a ser cogitado, mas que o Legislativo não assumirá o ônus de propor cortes radicais ou elevar impostos e espera a orientação do Palácio do Planalto.

Edinho explicou que o governo ainda debate o que deverá ser feito e que não está se omitindo, mas que todas as propostas serão negociadas com o Congresso.

Na última quarta-feira, a própria Dilma afirmou que o Planalto fará propostas para tentar cobrir o déficit e não descartou nem mesmo a volta da extinta CPMF.

A equipe econômica está fazendo projeções para verificar a validade de reajustes de outras contribuições, como a Cide --que incide sobre combustíveis-- ou o Imposto sobre Importações, mas ainda não há definições. A própria CPMF poderia ser apresentada, mas com um prazo definido e com alíquotas regressivas. 

(Reportagem de Lisandra Paraguassu e Anthony Boadle; Reportagem adicional de Luciana Otoni)

 
Ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília. 31/03/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino