Rodovia da soja em Mato Grosso começa a cobrar pedágio no domingo

sexta-feira, 4 de setembro de 2015 16:28 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A BR-163, rodovia por onde passam 30 por cento dos grãos produzidos no Brasil, começará a cobrar pedágio no domingo, com potencial para impactar os valores pagos pela soja e pelo milho em Mato Grosso na nova safra.

A concessionária Rota do Oeste recebeu na semana passada a autorização para começar a operar as praças de pedágio. Neste primeiro momento, oito delas realizarão cobranças, desde Sorriso, no médio-norte de Mato Grosso até Itiquira, na divisa com Mato Grosso do Sul.

A rota é a mais usada por caminhões que escoam a produção de grãos do Estado --o maior produtor agrícola do país-- para os portos do Sul e Sudeste ou para indústrias e terminais ferroviários na cidade de Rondonópolis (MT).

Um caminhão bitrem, com sete eixos, que viajar do extremo norte de Mato Grosso até a divisa com Mato Grosso do Sul, vai pagar um total de 240,80 reais.

Se o custo adicional deverá ser completamente sentido no escoamento da próxima safra, uma parte do milho recém-colhido no Estado, que deverá seguir para a exportação, também será transportado na rodovia agora pedagiada.

"A gente não é contra o pedágio... Mas a gente está achando a tarifa muito alta", disse à Reuters o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, um dos principais polos agrícolas do Estado, Laércio Lenz. "Alguém vai ter que pagar, e vai sair do produtor."

O gerente de uma unidade de recebimento de grãos de uma grande trading multinacional, na beira da BR-163, disse que as empresas já estão computando o custo maior de frete na hora de fechar negócios com os agricultores para entregas da próxima safra.

"Normalmente a gente (trading) paga o pedágio de ida. Isso vai sair do preço do produto", afirmou ele sob condição de anonimato.   Continuação...