ENTREVISTA-Para enfrentar aumento da inadimplência, BB aposta mais em prevenção

quarta-feira, 9 de setembro de 2015 10:12 BRT
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - O aprofundamento da crise econômica brasileira exige do Banco do Brasil uma abordagem de mais longo prazo na prevenção de riscos de calote do que simplesmente medidas para evitar o aumento dos índices de inadimplência no curto prazo, disse um executivo do banco estatal em entrevista à Reuters.

Neste aspecto, fatores como longo histórico de relacionamento e uma base de clientes geograficamente diversificada permitem ao BB agir para ao mesmo tempo aumentar a capacidade de pagamento dos tomadores e se proteger de uma espiral de ameaças mais estruturais.

"Tem que trabalhar cuidadosamente com os riscos, inclusive os de perder clientes", disse o vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, Walter Malieni Júnior, em entrevista exclusiva.

A declaração vem em um momento de maior escrutínio do mercado sobre o banco, que ajustou sua política de renegociação de crédito. O volume de renegociações deu um salto de 90 por cento no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano, levantando temores de deterioração persistente da qualidade da carteira, embora o índice de calotes acima de 90 dias tenha ficado estável na comparação trimestral e abaixo do nível de seus principais concorrentes.

Mesmo com o ajuste recente, o volume de renegociações em relação à carteira total ainda é menor do que os dos rivais.

No ano passado, o BB criou um portal online específico para esse fim, que permite aos clientes renegociarem empréstimos mesmo antes de ficarem inadimplentes. Desde então, a ferramenta intermediou 1,2 bilhão de reais em renegociações, disse Malieni. O estoque total de renegociações do banco agora é de 3,7 bilhões de reais.

Para Malieni, além de poder dar soluções preventivas a dívidas que normalmente se deterioram com o tempo, a renegociação precoce tem o potencial de reduzir gastos futuros com cobrança terceirizada e proteger o banco contra possíveis ações judiciais futuras.

"Fomos muito criticados quando divulgamos os dados sobre renegociação, mas nos próximos meses os resultados da nossa estratégia vão aparecer", disse.   Continuação...