Dólar cai 0,51% e vai abaixo de R$3,80, por bom humor com China

quarta-feira, 9 de setembro de 2015 17:25 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda sobre o real pelo segundo dia nesta quarta-feira, com investidores mais animados com a China e devido a movimentos de ajustes após os fortes avanços recentes, mas terminou longe das mínimas do dia em meio ao quadro local político e econômico conturbado.

O dólar recuou 0,51 por cento, a 3,7994 reais na venda, após cair 1,36 por cento, a 3,7671 reais, na mínima do dia. No acumulado do mês até agora, o dólar ainda acumula alta de 4,75 por cento e, no ano, de 42,9 por cento.

"O cenário externo é positivo, mas o interno é ruim. Qualquer queda (do dólar) faz o mercado ficar com o pé atrás", disse o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

Preocupações com a desaceleração da China têm pesado sobre o ânimo nos mercados globais, afetando principalmente mercados emergentes. No entanto, as bolsas chinesas engataram o segundo avanço consecutivo nesta sessão, com investidores apostando em mais medidas de estímulo pelo governo local.

No Brasil, operadores adotaram cautela, diante da avaliação de que a volta das turbulências financeiras é questão de tempo, em meio às perspectivas incertas para o reajuste das contas públicas e para o cenário político.

O reforço da intervenção do BC nesta semana, com realização de leilão de venda de dólares com compromisso de recompra na terça-feira com a oferta de até 3 bilhões de dólares, também permitiu alguma acomodação no câmbio.

Até então, a autoridade monetária havia feito apenas um leilão de linha, no último dia 31, voltado para rolagem e com oferta de até 2,4 bilhões de dólares. O BC informou nesta quarta-feira, no entanto, que não vendeu nada naquela operação.

"O fluxo ficou bem positivo em agosto e o dólar estava subindo muito, o que sugere que não havia tanta demanda (pelos dólares oferecidos pelo BC) e que o mercado estava pedindo taxa alta demais", disse o operador de câmbio de uma corretora internacional, que acredita que o BC anunciou o leilão para mostrar que tem "poder de fogo".   Continuação...

 
Casa de câmbio no Rio de Janeiro. 31/8/2015 REUTERS/Ricardo Moraes