ENFOQUE-Baixos preços agrícolas no exterior atenuam efeito inflacionário do câmbio no Brasil

quarta-feira, 9 de setembro de 2015 19:13 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços das principais commodities agrícolas, que

estão nos menores níveis em vários anos nos mercados globais em meio a grandes safras, transformaram-se em importante colchão contra pressões inflacionárias no Brasil, atenuando o efeito do dólar mais caro sobre os produtos alimentícios.

A valorização da moeda norte-americana, que está perto do nível mais alto em mais de uma década ante o real, eleva no mercado brasileiro os preços de commodities, como a soja e o milho, que são importantes produtos da pauta de exportação brasileira. Mas como a cotação desses produtos está em baixa no mercado internacional, o efeito da valorização do dólar no mercado doméstico é atenuado.

O primeiro contrato da soja na bolsa de Chicago acumula queda de cerca de 18 por cento nos últimos 12 meses, oscilando perto dos menores níveis desde 2009, enquanto no Brasil, a soja acumula alta de cerca de 12 por cento no mesmo período, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No mesmo período, o dólar acumula alta de cerca de 60 por cento ante o real.

"Essa disparidade é uma indicação de que os preços internacionais estão compensando a subida do câmbio. Em outras circunstâncias, poderia ter uma pressão inflacionária maior", disse o coordenador do índice de preços da FGV, Salomão Quadros.

"Por que a soja só subiu 12? Porque o preço da soja internacional atenuou a pressão inflacionária."

No caso do trigo, o preço no oeste do Paraná está quase 15 por cento mais alto do que estava no mesmo período do ano passado, enquanto no mercado de referência de Chicago os preços futuros acumulam queda de cerca de 24 por cento, sendo cotados nos menores níveis desde 2010.   Continuação...