Governo avalia que setor financeiro suporta aumento de tributos, diz líder no Senado

quarta-feira, 9 de setembro de 2015 19:21 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal avalia que o setor financeiro suporta uma carga tributária maior que a atual, disse o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), nesta quarta-feira, em meio a discussões sobre alternativas para ajustar as contas públicas.

"Estamos discutindo com alguns segmentos para avaliar se a gente não pode eventualmente tributar alguns segmentos sem efetivamente transferir isso para a sociedade como um todo e para o processo inflacionário. Estamos estudando várias alternativas", disse o senador a jornalistas.

Questionado sobre quais setores podem ter a carga tributária elevada, o senador respondeu "o setor financeiro, por exemplo".

O líder não deu detalhes, no entanto, sobre as propostas em estudo para elevar a tributação dos bancos.

O governo enviou ao Congresso medida provisória aumentado para 20 por cento, ante 15 por cento, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras. Durante análise da medida, a relatora da proposta, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), cogitou propor alíquota de 23 por cento, mas recuou.

A MP foi aprovada pela Câmara no início deste mês e seguiu para análise no Senado.

A avaliação do aumento da carga tributária do setor financeiro ocorre em meio ao debate no governo sobre alternativas de aumento de receitas para ajustar a proposta de Lei Orçamentária de 2016 apresentada ao Congresso.

Entre as propostas em estudo constam aumento por decreto das alíquotas da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), IOF e IPI, aumento do Imposto de Renda por projeto de lei ou medida provisória. Também está sob análise a criação de um tributo provisório sobre a movimentação financeira e sobre fortunas.

Em entrevista após encontro com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, no Senado, e do qual participou também o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Delcídio disse que o governo prepara um ajuste à proposta orçamentária que abrange aumento de tributos e novo corte de gastos.   Continuação...