S&P corta rating do Brasil e retira selo de bom pagador do país

quarta-feira, 9 de setembro de 2015 20:36 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Standard & Poor's retirou o selo de bom pagador do Brasil nesta quarta-feira, ao cortar o rating do país para "BB+" ante "BBB-", 10 dias após o governo prever um inédito déficit primário na proposta orçamentária de 2016.

Além de retirar do Brasil o grau de investimento, a S&P sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo, ao manter a perspectiva negativa para a nota de crédito brasileira, o que significa que um novo rebaixamento pode ocorrer no curto prazo.

O movimento da S&P, que irá repercutir sobre os mercados financeiros locais, é um grande revés para o governo da presidente Dilma Rousseff, que enfrenta uma crise econômica e política e vinha buscando meios de manter o Brasil entre os países reconhecidos como bons pagadores pelas agências de classificação de risco.

"Os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuam a crescer, pesando sobre a habilidade do governo e a disposição de enviar um orçamento de 2016 ao Congresso consistente com uma significativa política corretiva sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma", disse a S&P.

No fim de agosto, o governo enviou ao Congresso Nacional uma proposta orçamentária com previsão de déficit primário público consolidado equivalente a 0,34 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem, em meio a um cenário recessivo e de dificuldades para aprovar medidas de ajuste fiscal.

A previsão de fechar as contas no vermelho em 2016 foi feita pouco mais de um mês depois de o governo ter anunciado um drástico corte nas metas fiscais para este ano e os próximos dois.

Para a S&P, a estimativa de déficit primário na proposta orçamentária de 2016 reflete divergências internas sobre a composição e a magnitude das medidas necessárias para melhorar as contas públicas.

"Percebemos agora menos convicção dentro de gabinete da presidente sobre a política fiscal", disse a S&P.

Em julho, a Moody's rebaixou o rating do Brasil para a última nota dentro da faixa considerada como grau de investimento, enquanto a S&P colocou a nota brasileira em perspectiva negativa. Pela Fitch, a nota brasileira é "BBB", ainda dois degraus acima do grau especulativo, com perspectiva "negativa".   Continuação...

 
Edifício da agência de classificação de risco Standard & Poor's no distrito financeiro de Nova York, nos Estados Unidos. 05/02/2013 REUTERS/Brendan McDermid