9 de Setembro de 2015 / às 23:26 / 2 anos atrás

REPERCUSSÃO-S&P corta nota soberana e retira grau de investimento do Brasil

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de riscos Standard & Poor’s retirou o selo de bom pagador do Brasil nesta quarta-feira, ao cortar o rating do país para “BB+” ante “BBB-”, após o governo brasileiro mudar o cenário fiscal para 2016, com uma projeção de déficit primário.

Além de retirar do Brasil o grau de investimento, a S&P sinalizou que pode colocar o Brasil ainda mais para dentro do território especulativo ao manter a perspectiva negativa para a nota brasileira.

Veja abaixo comentários sobre o rebaixamento do crédito soberano do país:

CAIO MEGALE, ECONOMISTA, ITAÚ UNIBANCO

“O outlook negativo não estava no preço e pode ter impacto negativo nos mercados. A decisão foi a conclusão de um processo que começou com a revisão das metas fiscais, piorada depois com a queda das commodities. É possível que a decisão seja seguida pelas outras grandes agências de rating.”

EVANDRO GAMBRA BUCCINI, ECONOMISTA, RIO BRAVO INVESTIMENTOS

“O impacto deve ser negativo, embora a decisão não seja uma surpresa, ainda mais depois do fato de o governo ter mandado a proposta do Orçamento para 2016 com déficit e diante da falta de coesão no gabinete da presidente Dilma Rousseff, principalmente a aparente perda de poder o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.”

“Mas o pior de tudo foi a manutenção da perspectiva negativa, o que significa que pode ter mais um rebaixamento a qualquer momento. Um dólar a 3,90 reais na quinta-feira é um cenário bem provável.”

ZEINA LATIF, ECONOMISTA-CHEFE, XP INVESTIMENTOS

“A percepção dos analistas e dos investidores de uma maneira geral é que o país tem dificuldade de fazer ajuste e não tem convicção da necessidade de ajuste. A percepção é também que o compromisso (do governo) com o ajuste fiscal parece mais frouxo.”

“Acho que não estava totalmente precificado, principalmente por causa do outlook negativo.”

THIAGO ARAGÃO, SÓCIO E DIRETOR DE ESTRATÉGIA, ARKO ADVICE

“Parte disso é culpa do próprio governo por não ter dado a devida blindagem ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e ao vice-presidente, Michel Temer. Quando há fogo amigo e confusão da parte da própria presidente Dilma Rousseff quanto ao papel dos dois, isso contamina a avaliação das agências.”

“Se a falta de uniformidade é confusa para o governo, gera instabilidade para as agências que estão observando o Brasil. Os dois eram pilares da credibilidade (do país no cenário) internacional.”

JULIANO FERREIRA, ESTRATEGISTA-CHEFE, ICAP

“O que chama atenção é a velocidade das ações da S&P, que havia revisado a perspectiva há pouco tempo, o que mostra a total falta de credibilidade do Brasil com as agências.”

“Nada do downgrade estava no preço, nem no dólar, nem nos juros, nem na Bovespa. A curva como um todo vai sofrer, especialmente a parte longa... E vem aí uma necessidade de aumento de juros: se o câmbio sofrer um choque, que é o que eu acho que vai acontecer amanhã, com cotações acima de 3,85 reais com certeza, podemos imaginar alta de mais de 0,25 ponto percentual (na Selic) ainda neste ano.”

“A ata (do Copom) de amanhã já está defasada, mas vai ser interessante ver como o BC lida com a deterioração das condições financeiras nas próximas semanas. Depois disso, é bom ver a reação do governo e do Legislativo. Se houver uma comoção em termos de um corte de gastos obrigatórios, há uma possibilidade de que esse choque se reverta no médio prazo. No curto prazo, porém, não dá para fugir desse sufoco do choque.”

SENADOR RENAN CALHEIROS (PMDB-AL), PRESIDENTE DO SENADO

“O Legislativo está fazendo tudo para superarmos essas dificuldades. Precisamos fazer as reformas estruturais e retomar o crescimento. A única maneira de resolver esses problemas é pela retomada do crescimento”

JOSÉ FRANCISCO GONÇALVES, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO FATOR

“Mesmo que tal decisão já estivesse na conta, o mercado deve reagir mal. Todo mundo vai olhar com dúvidas sobre o efeito na parte fiscal, se o governo irá se sentir mais pressionado a fazer alguma coisa, a precipitar alguma medida.”

“O mercado pode olhar (a decisão da S&P) como pressão para cortar despesa, mas também algo que apresse no que diz respeito a arrumar impostos. A avaliação deve ser ambígua. Mas certamente dá força ao Congresso Nacional nas discussões.”

ROBERTO PADOVANI, ECONOMISTA-CHEFE, VOTORANTIM CORRETORA

“Após o governo ter enviado ao Congresso previsão orçamentária com déficit, (o rebaixamento) era apenas uma questão de tempo. A crise política levou à descoordenação na área econômica.”

“Mercados vão obrigatoriamente ter uma reação forte. Vai demorar para o país recuperar a condição de grau de investimento. Entramos numa espiral complicada que não sabemos quando acaba.”

PAULO PETRASSI, SÓCIO-GESTOR, LEME INVESTIMENTOS

“O fato principal foi o Orçamento negativo, foi a gota d’água. O Brasil vai ter que aprender a lição: não é só ter alguém como o Levy se ele está rodeado de pessoas que não pensam igual a ele.”

“Muita gente diz que o downgrade já está no preço, mas tem aplicação que necessita do investment grade para permanecer no país e essas vão fugir. O reflexo nos mercados amanhã vai ser terrível, e a curva (de juros futuros) deve empinar.”

“O primeiro passo é o BC não ficar atrás do mercado: ele precisa voltar um pouco atrás e deixar mais aberta a possibilidade de mais altas (da Selic), porque se o dólar for a 4 reais, ele vai precisar dar mais altas.”

“O problema é que subir juros com o fiscal como está é enxugar gelo: ele precisa do respaldo fiscal. E é cortar gastos, não subir impostos.”

ALEXANDRE SCHWARTSMAN, SÓCIO DA SCHWARTSMAN & ASSOCIADOS

”Não tenho a menor dúvida que o motivo foi a questão fiscal. O governo já tinha reduzido a trajetória para superávit primário e depois veio com uma projeção de déficit.

“Talvez não tenha grandes reações do mercado porque já era muito esperado, já estava precificado.”

DEPUTADO MENDONÇA FILHO (DEM/PE), LÍDER DO DEM NA CÂMARA:

“É resultado da tragédia econômica, da irresponsabilidade praticada pela administração do PT.”

SENADOR ALOYSIO NUNES (PSDB-SP)

“É muito ruim. É uma consequência, já prevista, da irresponsabilidade com a qual a presidente Dilma conduziu seu primeiro mandato.”

Reportagem Paula Arend Laier, Aluísio Alves, Flavia Bohone, Bruno Federowski, em São Paulo,; Marcela Ayres, Maria Carolina Marcello e Leonardo Goy em Brasília

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