Ativos brasileiros sofrerão com perda do grau de investimento pela S&P

quarta-feira, 9 de setembro de 2015 21:36 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A perda do selo de bom pagador do Brasil pela Standard & Poor's e a perspectiva negativa para o rating, o que indica possibilidade de novo rebaixamento adiante, devem derrubar os ativos locais na quinta-feira, com agentes econômicos prevendo que o dólar possa até superar os 3,90 reais.

Em um sinal claro de perspectiva de um dia agitado nos pregões domésticos, o Credit Suisse encaminhou aos clientes e-mail lembrando as regras para 'circuit breaker' da Bovespa, mecanismo de interrupção dos negócios na bolsa em caso de quedas expressivas a partir de 10 por cento.

A agência de classificação de risco S&P anunciou na quarta-feira, após o fechamento dos mercados, o corte do rating soberano do Brasil para "BB+" ante "BBB-", citando desafios políticos crescentes para permitir a melhora das contas públicas.

O economista Evandro Gambra Buccini, da Rio Bravo Investimentos, avalia como bem provável um dólar a 3,90 reais na quinta-feira, o que significaria uma valorização de mais de 2,5 por cento da moeda norte-americana no dia. No ano, o dólar já subiu mais de 40 por cento frente ao real, afetado pela expectativa de alta do juro nos Estados Unidos mas sobretudo pelo cenário político e econômico conturbado no Brasil.

"O pior de tudo foi a manutenção da perspectiva negativa, o que significa que pode ter mais um rebaixamento a qualquer momento", afirmou.

O ex-diretor do Banco Central e economista-chefe do banco Brasil Plural, Mario Mesquita, avalia que as outras principais agências de risco, Fitch e Moody's, devem seguir a S&P.

“Se o momento do rebaixamento foi um pouco surpreendente, a combinação de rebaixamento com 'outlook' negativo é uma verdadeira surpresa negativa”, disse em nota a clientes Mesquita, para quem o dólar pode até superar a barreira dos 3,90 reais na sessão de quinta.

Nos Estados Unidos, o iShares MSCI Brazil Capped ETF, índice composto de ações brasileiras, caiu mais de 7 por cento no 'after market'.   Continuação...