10 de Setembro de 2015 / às 00:41 / 2 anos atrás

Ativos brasileiros sofrerão com perda do grau de investimento pela S&P

SÃO PAULO (Reuters) - A perda do selo de bom pagador do Brasil pela Standard & Poor’s e a perspectiva negativa para o rating, o que indica possibilidade de novo rebaixamento adiante, devem derrubar os ativos locais na quinta-feira, com agentes econômicos prevendo que o dólar possa até superar os 3,90 reais.

Em um sinal claro de perspectiva de um dia agitado nos pregões domésticos, o Credit Suisse encaminhou aos clientes e-mail lembrando as regras para ‘circuit breaker’ da Bovespa, mecanismo de interrupção dos negócios na bolsa em caso de quedas expressivas a partir de 10 por cento.

A agência de classificação de risco S&P anunciou na quarta-feira, após o fechamento dos mercados, o corte do rating soberano do Brasil para “BB+” ante “BBB-”, citando desafios políticos crescentes para permitir a melhora das contas públicas.

O economista Evandro Gambra Buccini, da Rio Bravo Investimentos, avalia como bem provável um dólar a 3,90 reais na quinta-feira, o que significaria uma valorização de mais de 2,5 por cento da moeda norte-americana no dia. No ano, o dólar já subiu mais de 40 por cento frente ao real, afetado pela expectativa de alta do juro nos Estados Unidos mas sobretudo pelo cenário político e econômico conturbado no Brasil.

“O pior de tudo foi a manutenção da perspectiva negativa, o que significa que pode ter mais um rebaixamento a qualquer momento”, afirmou.

O ex-diretor do Banco Central e economista-chefe do banco Brasil Plural, Mario Mesquita, avalia que as outras principais agências de risco, Fitch e Moody‘s, devem seguir a S&P.

“Se o momento do rebaixamento foi um pouco surpreendente, a combinação de rebaixamento com ‘outlook’ negativo é uma verdadeira surpresa negativa”, disse em nota a clientes Mesquita, para quem o dólar pode até superar a barreira dos 3,90 reais na sessão de quinta.

Nos Estados Unidos, o iShares MSCI Brazil Capped ETF, índice composto de ações brasileiras, caiu mais de 7 por cento no ‘after market’.

O estrategista da Icap, Juliano Ferreira, também destacou a velocidade das ações da S&P, “que havia revisado a perspectiva há pouco tempo (no fim de julho), o que mostra a total falta de credibilidade do Brasil com as agências”.

Mais pessimista, Ferreira avalia que “nada do rebaixamento estava no preço de ativos locais, nem no dólar, nem nos juros, nem na Bovespa. A curva (dos contratos de DI na BM&F) como um todo vai sofrer, especialmente a parte longa”.

“Se o câmbio sofrer um choque, que é o que eu acho que vai acontecer na quinta-feira, com cotações acima de 3,85 reais com certeza, podemos imaginar alta de mais de 0,25 ponto percentual (na taxa básica de juro Selic) ainda neste ano”, afirmou.

Para o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, vai demorar para o país recuperar a condição de grau de investimento pela S&P. “Entramos numa espiral complicada que não sabemos quando acaba”, afirmou.

Reportagem adicional de Redação São Paulo

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