Dilma reafirma meta fiscal de 2016 mas ressalta que é preciso elevar receitas, diz Valor

quinta-feira, 10 de setembro de 2015 08:50 BRT
 

(Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista publicada nesta quinta-feira, que a meta fiscal de 2016 está mantida em um superávit primário de 0,7 por cento e só será possível cobrir o déficit previsto na proposta do Orçamento do próximo ano se houver aumento de receitas com elevação de tributos.

"Mantidos os compromissos que assumimos no PAC e olhando as demais, você não tem margem para cumprir 0,7 por cento (de superávit primário), então, inequivocamente, teremos de ter ampliação da receita", disse Dilma em entrevista publicada pelo jornal Valor Econômico.

Segundo a presidente, é responsabilidade do governo "dizer onde, quando e como" se dará esse aumento de receitas, e isso ainda está sendo avaliado.

"Não fecha sem aumento de receitas", disse, acrescentando que o governo ainda vai "enxugar mais um pouco" os gastos.

Nos últimos dias, integrantes do governo têm falado sobre a possibilidade de aumento do Imposto de Renda das pessoas físicas, a criação de um imposto provisório e da elevação alíquotas de tributos, como a Cide. Mas Dilma avaliou que o aumento da Cide não seria suficiente e traria um forte impacto inflacionário.

Perguntada sobre o rebaixamento do rating soberano do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's para "BB+", o que significa a perda do selo de bom pagador, Dilma disse que "o governo brasileiro continua trabalhando para melhorar a execução fiscal e torná-la sustentável".

"Você vai notar que de 1994 a 2015 só em sete anos, a

partir de 2008, a nota foi acima de BB+. Portanto, essa classificação não significa que o Brasil esteja em uma situação em que não possa cumprir as suas obrigações. Pelo contrário, está pagando todos os seus contratos, como também temos uma clara estratégia econômica", disse a presidente.

Em meio a uma grave crise política, além da econômica, e recordes de baixa popularidade, a presidente rejeitou mais uma vez qualquer possibilidade de renúncia.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff durante conferência no Palácio do Planalto, em Brasília.   02/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino