Rebaixamento do Brasil impõe novos problemas a Petrobras e outras tomadoras de crédito

quinta-feira, 10 de setembro de 2015 10:54 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - O rebaixamento pela Standard and Poor's do rating do Brasil para grau especulativo aprofundará a dificuldade de algumas empresas que são grandes tomadoras de financiamentos e já se deparam com dificuldades perante vários credores e com a recessão econômica mais acentuada em 25 anos.

Investidores impedidos de possuir bônus com grau especulativo podem se desfazer de cerca de 20 bilhões de dólares em dívida brasileira se uma segunda agência de classificação de risco seguir a medida da S&P e tirar o grau de investimento brasileiro, disse o estrategista da JPMorgan Securities Pedro Martins.

Até semana passada, 37 companhias estavam prestes a ter nota reduzida pelas agências S&P, Moody's ou Fitch, segundo dados da Thomson Reuters. Isso torna o Brasil o país com maior número de "anjos caídos", ou companhias que estão prestes a perder o grau de investimento, entre outros países emergentes neste ano.

Para tomadoras de empréstimos de grande porte como a Petrobras, mesmo o impacto de curto prazo da decisão da S&P pode ser significativo, especialmente com a turbulência do rebaixamento sobre os mercados de câmbio e ativos de risco.

A Petrobras enfrenta o peso de cerca de 140 bilhões de dólares em dívida --maior patamar de qualquer petroleira global-- e seus custos de financiamento subirão enquanto os termos de refinanciamento também ficam mais duros, disseram investidores.

"Isso pode muito bem representar o fim de uma era na qual o governo e companhias tomavam financiamentos baratos em um ritmo exuberante", disse Alexandre Pavan Povoa, que administra 400 milhões de reais em ativos para a Canepa Asset Manaegement, no Rio de Janeiro.

O Brasil obteve ratings de grau de investimento em 2008, solidificando sua emergência como um motor econômico que se beneficiava do boom global de commodities e da demanda crescente da China.

Durante esse período, a Petrobras, a Vale, bancos e indústrias pagavam custos de financiamento de cerca de 2 pontos percentuais acima dos rendimentos comparáveis do Tesouro norte-americano.   Continuação...