10 de Setembro de 2015 / às 14:40 / em 2 anos

BC vê aumento nos riscos e necessidade de vigilância na política monetária

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central detectou recente aumento de riscos que têm afetado os preços dos ativos e, por isso, reforçou a mensagem sobre a necessidade de uma postura vigilante em meio ao período de ajustes na economia que pode ser mais longo e mais forte, abrindo o caminho para subir os juros básicos.

Sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Neste contexto, a autoridade monetária informou que o cenário de convergência da inflação a 4,5 por cento pelo IPCA no final de 2016 tem se mantido “apesar de certa deterioração no balanço de riscos”, alterando avaliação de até então de que esse cenário vinha se fortalecendo.

“Elevações recentes de prêmios de risco, que se refletem nos preços de ativos, exigem que a política monetária se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta”, trouxe a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulgada nesta quinta-feira, elaborada antes do anúncio do rebaixamento do rating do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor‘s, na noite passada, que tirou o selo internacional de bom pagador do país.

Na semana passada, o BC encerrou o ciclo de aperto monetário iniciado em outubro de 2014 ao manter a Selic em 14,25 por cento ao ano, reforçando a sinalização de que a taxa básica de juros permanecerá nesse patamar por período “suficientemente prolongado”, expressão que usou também na ata.

No documento, o BC divulgou que a projeção para a inflação em 2015 piorou no cenário de referência, permanecendo acima do centro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Por outro lado, a estimativa para 2016, no mesmo cenário, foi reduzida e encontra-se em torno do alvo de 4,5 por cento, em meio à deterioração da atividade. O BC não divulga, na ata, as projeções numéricas.

Ainda assim, o BC explicitou em diversos trechos a piora do cenário macroeconômico. “A perspectiva de nova mudança de trajetória para as variáveis fiscais, implícita na proposta orçamentária para 2016, afetou as expectativas e, de forma significativa, os preços de ativos”.

O dólar tem disparado sobre o real nas últimas semanas e, até a véspera, acumulava alta de mais de 40 por cento. Se há uma semana o BC considerou a cotação de 3,55 reais para a moeda norte-americana para redigir a ata, nesta sessão o dólar chegou a superar o patamar de 3,90 reais, mais um fator de pressão sobre a inflação.

“É um BC que vai ficar em compasso de espera para ver os desdobramentos da volatilidade doméstica, sobretudo ligados aos eventos da agenda da política fiscal”, afirmou o economista-chefe do banco J.Safra, Carlos Kawall.

“Se não avançarmos nessa direção e continuarmos vendo o câmbio em território muito desvalorizado... acho que a gente corre risco de vermos elevação da taxa de juros”, acrescentou ele, que, por ora, ainda vê o BC cortando a Selic no segundo trimestre do ano que vem.

Para o chefe da divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas, a autoridade deixa subentendida a chance de elevar os juros caso a política fiscal não dê suporte à monetária.

“Se não tivermos uma política fiscal um pouco mais rigorosa, a gente vai ver aumento de juros. Não tenho dúvida que o BC está passando essa mensagem”, disse.

Nesta quinta-feira, os juros futuros disparavam, colocando pressão sobre o BC elevar os juros em breve.

Em relatório, o Barclays informou que não vê isso acontecendo, já que fatores citados pelo BC na ata como a maior volatilidade no cenário internacional, uma recessão mais longa e maior incerteza com eventos não econômicos --numa indicação para os desdobramentos da operação Lava Jato--, dão suporte ao fim do ciclo de aperto.

O banco, contudo, reconhece um discurso “hawkish” do BC, ou inclinado ao aumento dos juros, destinado ao controle da deterioração das expectativas para inflação em razão do dólar mais forte e política fiscal mais frouxa.

FISCAL

No fim de agosto, o governo previu déficit primário consolidado equivalente a 0,34 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, ante projeção de superávit de 0,7 por cento do PIB feita um mês antes, despertando preocupação de que estaria jogando a toalha na busca pelo reequilíbrio das contas públicas.

O BC foi mais assertivo na ata ao assinalar que as mudanças significativas na trajetória de geração de superávits primários --economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública-- contribuem para percepção menos positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo. Antes, havia dito que essas alterações poderiam contribuir nesse sentido.

O BC apontou ainda que a margem de ociosidade no mercado de trabalho tem aumentado em ritmo mais intenso, também assinalando que o consumo privado mostra sinais não de maior moderação, como dito antes, mas de contração.

Economistas vêm piorando suas expectativas para a alta do IPCA, mesmo diante da economia em recessão. No mais recente levantamento Focus do BC, a estimativa para o IPCA em 2016 foi a 5,58 por cento, ante 5,40 por cento no início de agosto. A projeção para a inflação em 2017 passou a 4,70 por cento, contra 4,64 por cento no mesmo período.

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