Indústria de carnes enfrenta alta do milho apesar de safra recorde no Brasil

quinta-feira, 10 de setembro de 2015 16:42 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Indústrias de frango e suínos, principais compradoras de milho no mercado doméstico brasileiro, estão enfrentando uma alta nas cotações do grão em um momento de grande oferta após colheitas volumosas nos principais Estados produtores, o que eleva os custos com a ração para os animais.

A explicação para a alta dos preços em um momento de oferta abundante está no câmbio e no bom momento das exportações do país. A moeda norte-americana atingiu nesta quinta-feira a maior cotação frente o real desde outubro de 2002, com alta acumulada de cerca de 22 por cento nos últimos três meses.

"Nós esperávamos preços mais baixos para o período... Na comparação com uma projeção de preço normal, hoje os custos de produção estão bem mais altos", relatou o diretor de compras da cooperativa Aurora, Jacó Ritter, responsável pela originação em uma das maiores produtoras de aves e suínos do Brasil, com consumo de quase 1,4 milhão de toneladas de milho por ano.

Nos últimos três meses, o milho no mercado físico brasileiro acumula alta de 20 por cento, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa.

No mesmo período de 2014, a queda foi de 19,5 por cento e, em 2013, o recuo foi de 5,6 por cento.

A colheita de milho de Mato Grosso, principal produtor do Brasil, foi encerrada há poucos dias. Já no Paraná, segundo produtor nacional, a colheita da safra de inverno alcança 96 por cento da área.

Com a concorrência com a exportação, as indústrias realizam aquisições mais pontuais. Algumas consultorias estimam embarques do país em níveis próximos de recordes.

"São preços altos e muitas indústrias estão encurtando estoques. Quem tem pouca capacidade de estocagem está tendo que se sujeitar ao mercado", disse o supervisor responsável pela compra de insumos para ração em uma indústria de carne suína do Rio Grande do Sul, falando sob condição de anonimato.   Continuação...