Dólar sobe 1,34% e vai a R$3,85 após rebaixamento do Brasil

quinta-feira, 10 de setembro de 2015 17:12 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta superior a 1 por cento nesta quinta-feira, na casa de 3,85 reais, após a agência de classificação de risco Standard & Poor's retirar o selo de bom pagador do Brasil, mas a intervenção do Banco Central e a percepção de que a Fitch deve manter por enquanto o grau de investimento do país levaram a moeda norte-americana a terminar longe da máxima da sessão, a 3,91 reais.

O dólar avançou 1,34 por cento, a 3,8504 reais na venda. De maneira geral, a percepção nas mesas de operações é que o dólar tende a rumar para a máxima histórica de quase 4 reais em breve, em uma trajetória volátil.

Na máxima da sessão, logo após a abertura, a divisa dos Estados Unidos saltou 3,10 por cento e alcançou 3,9173 reais, também o maior nível intradia desde 23 de outubro de 2002 (3,9200 reais). Foi em 10 de outubro daquele ano que o dólar atingiu seus recordes intradia e de fechamento, de 4 e 3,990 reais, respectivamente.

"O dólar perto de 4 reais está precificando tudo que está acontecendo", resumiu o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho, ressaltando que novos problemas na política e na economia no Brasil, bem como altas da moeda norte-americana nos mercados externos, devem elevar ainda mais a cotação da divisa ante o real.

A S&P rebaixou o Brasil para "BB+", ante "BBB-", dias após o governo prever inédito déficit primário em 2016. Além de remover o grau de investimento, a agência sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo, ao manter a perspectiva negativa para a nota de crédito brasileira, o que significa que novo rebaixamento pode ocorrer no curto prazo.

Além de se surpreender com a velocidade da ação da S&P, o mercado também se decepcionou com a entrevista coletiva do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante a tarde. "O discurso foi desnecessário. Não falou nada", disse o especialista em câmbio da corretora Icap, Italo Abucater.

O avanço da moeda norte-americana foi amortecido, no entanto, porque o BC anunciou leilão de venda de até 1,5 bilhão de dólares com compromisso de recompra. Segundo a assessoria de imprensa da autoridade monetária, a operação não serve para rolar uma linha já existente.

A taxa de corte ficou em 4,014460 reais na primeira etapa da operação, com data de recompra em 4 de janeiro de 2016. Na segunda, para 4 de abril de 2016, a taxa de corte ficou em 4,121420 reais.   Continuação...

 
Nota de dólar em casa de câmbio no Rio de Janeiro.   24/08/2015   REUTERS/Ricardo Moraes