S&P rebaixa rating da Petrobras para grau especulativo

quinta-feira, 10 de setembro de 2015 21:56 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Standard & Poor's tirou o selo de boa pagadora da Petrobras nesta quinta-feira, como parte de uma série de ações sobre ratings de empresas brasileiras após ter tirado o grau de investimento do Brasil na véspera.

A S&P rebaixou o rating da Petrobras em moeda estrangeira em dois degraus, para "BB" ante "BBB-". Além disso, a agência de risco colocou a nota da petroleira em perspectiva "negativa", o que significa chance de novo rebaixamento adiante.

A S&P é a segunda das três principais agências de classificação de risco à colocar nota da Petrobras em grau especulativo. Em fevereiro, a Moodys Investors Service tirou o selo de bom pagador da Petrobras, por conta das investigações sobre corrupção, que na época atrasavam a divulgação do balanço anual da companhia de 2014, além de pressões de liquidez.

Com o rebaixamento para "junk" por uma segunda agência, muitos fundos de pensão e outros grandes investidores devem se ver obrigados a vender papéis de dívida da empresa, o que pode levar a uma queda no preço desses ativos, limitando também o número de investidores autorizados por lei a comprá-los.

Em nota, a Petrobras disse em nota que a redução da nota "não provocará alterações" nos contratos de financiamento vigentes, já que esses não possuem cláusulas atreladas ao rating das agências de risco.

A empresa ainda ressaltou que a "financiabilidade" dos projetos de médio prazo já foi alcançada por meio de empréstimos captados este ano com bancos no Brasil e no exterior.[nE6N0VE02E]

A S&P também tirou o grau de investimento da Eletrobras, Comgás e Neoenergia, entre outras.[nE6N0VE028]

A S&P também rebaixou o rating da empresa de energia Itaipu.

"Nós vemos a probabilidade de suporte extraordinário do governo para a Eletrobras como 'praticamente certo', então igualamos os ratings da empresa com os do soberano", disse a S&P, citando que este também foi o caso de Itaipu.

(Por Roberto Samora)