EXCLUSIVO-Plano de investimento da Petrobras já está obsoleto, novos cortes são esperados, dizem fontes

quinta-feira, 10 de setembro de 2015 21:20 BRT
 

Por Jeb Blount e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras, que reduziu em junho em 40 por cento seu plano de investimento de cinco anos, provavelmente vai precisar cortar ainda mais o Plano de Negócios e Gestão, uma vez que o crescente custo da dívida, a queda dos preços do petróleo e o real fraco já tornaram o plano obsoleto, disseram duas fontes da empresa à Reuters nesta quinta-feira.

A decisão da agência de classificação de risco Standard & Poors de rebaixar o rating de crédito soberano do Brasil para grau especulativo, na quarta-feira, foi seguida nesta quinta-feira por um rebaixamento pela S&P de dois degraus do rating em moeda estrangeira da Petrobras, para "BB" ante "BBB-", colocando a estatal dentro da faixa considerada "junk".

As fontes disseram que o rebaixamento vai elevar o custo de refinanciamento da dívida da Petrobras de mais de 130 bilhões de dólares, a maior de qualquer empresa de petróleo no mundo, e reduzir o capital disponível para a perfuração de poços, construção de plataformas e refinarias e para pagar a infraestrutura necessária para aumentar a produção de petróleo e sua receita.

"O plano de junho já está obsoleto, suas perspectivas para os preços do petróleo e os custos da dívida e o câmbio já não são realistas. O plano terá de ser mudado", disse uma das fontes.

Em nota enviada ao mercado nesta quinta-feira para comentar o rebaixamento, a Petrobras ressaltou que a "financiabilidade" dos projetos de médio prazo já foi alcançada por meio de empréstimos captados este ano com bancos no Brasil e no exterior. A empresa também ressaltou que a ação da S&P "não provocará alterações" nos contratos de financiamento vigentes, já que eles não possuem cláusulas atreladas ao rating.

Aclamado como um retorno à realidade após anos de metas de produção não cumpridas, gastos recordes e um gigante escândalo de corrupção que levou a uma baixa contábil de 17 bilhões de dólares, o plano plurianual 2015-2019 anunciado em junho reduziu a meta de investimento para 130 bilhões de dólares, ante 221 bilhões de dólares para o período 2014-2018.

    Ambas as fontes pediram anonimato porque os planos da empresa ainda estão em discussão. As duas fontes também disseram que a venda planejada para este ano de até 25 por cento da BR Distribuidora é praticamente impossível agora.

    Quando anunciou o seu plano de investimentos, o presidente-executivo da empresa, Aldemir Bendine, disse que a estatal provavelmente iria começar a revisar seus planos de gastos estratégicos trimestralmente, em vez de anualmente, como vinha sendo feito por mais de uma década.   Continuação...

 
Presidente da Petrobras, Aldemir Bendine (segundo à esquerda), e outros membros da direitoria durante anúncio do Plano de Negócios e Gestão, em junho. 29/06/ 2015. REUTERS/Pilar Olivares