ENTREVISTA-Funcesp prevê que não atingirá meta atuarial em 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015 17:36 BRT
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A Funcesp não vai atingir sua meta atuarial em 2015, refletindo o mau momento do mercado brasileiro, incluindo forte desvalorização da moeda brasileira e aumento do custo de capital das empresas, disse o diretor de Investimentos do quarto maior fundo de pensão do Brasil, Jorge Simino.

O fundo tem como meta para este ano um retorno de 5,45 pontos percentuais acima da variação anual do IGP-DI. Simino não especificou quanto espera de rentabilidade para o ano. O IGP-DI acumulado em 2015 até agosto é de 5,53 por cento. Em 12 meses até o mês passado, o índice teve alta de 7,80 por cento.

A meta atuarial é a rentabilidade mínima esperada por um fundo para manter o equilíbrio entre contribuições e pagamento de benefícios no longo prazo.

Será a primeira vez que a Funcesp não atingirá a meta de rentabilidade nos últimos dez anos. No período, a rentabilidade acumulada foi de 304,8 por cento, ante meta de 197,8 por cento. Nesse intervalo, as aplicações no CDI renderam 200,5 por cento.

O fundo tem evitado assumir riscos diante da economia em recessão e do ceticismo do mercado sobre a capacidade do governo federal para reequilibrar o déficit orçamentário e em conta corrente.

"Não há ainda nenhum sinal de melhora do quadro político e econômico", disse Simino em entrevista à Reuters na quinta-feira.

"O problema maior pode não ser se já chegamos ao fundo do poço, mas quanto tempo vamos ficar lá", acrescentou.

A alta de mais de 40 por cento do dólar frente ao real no ano impulsionou o IGP-DI, dificultando o cumprimento das metas atuariais da Funcesp. Os esforços para aumentar os investimentos de capital em dólares não compensaram o fraco desempenho de outros ativos.   Continuação...