Dólar amplia alta, sobe 1% e encosta em R$3,90, com preocupação política e econômica

sexta-feira, 11 de setembro de 2015 12:25 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliava a alta para cerca de 1 por cento e encostava em 3,90 reais nesta sexta-feira, em meio a renovadas preocupações com a crise política e econômica no Brasil e com investidores buscando proteção antes de eventos importantes nos próximos dias, tanto no cenário local quanto no externo.

Às 12:23, o dólar avançava 0,86 por cento, a 3,8835 reais na venda, após fechar com alta de 1,34 por cento na véspera, a 3,8504 reais.

Nesta manhã, a moeda dos EUA chegou a recuar 0,78 por cento, a 3,8202 reais, na mínima, mas o movimento atraiu compradores em meio às perspectivas ainda incertas. Na máxima, a divisa subiu 1,15 por cento, a 3,8945 reais.

"Quando você acha que vai ter um dia tranquilo, vem mais notícia ruim. O mercado não está para fracos", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Preocupações com a deterioração das contas públicas e com a crise política no Brasil vêm golpeando o ânimo dos investidores nas últimas semanas, em meio a dúvidas sobre o comprometimento do governo com o ajuste fiscal.

A apreensão política ganhou mais um impulso no fim desta manhã, após a revista Época publicar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria suspeito de ter se beneficiado do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras para obter vantagens pessoais, para o PT ou para o governo.

No cenário externo, investidores também recorriam à moeda norte-americana para se proteger antes da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, na semana que vem e da divulgação de dados sobre a economia chinesa no fim de semana (produção industrial e vendas no varejo).

"O mercado vai aproveitar qualquer baixa (do dólar) para comprar. O cenário está muito incerto, ninguém quer ser pego de surpresa", disse o operador de uma corretora internacional, acrescentando que o dólar deve atingir 4 reais --máxima histórica-- em breve.

Na noite de quarta-feira, a S&P piorou a classificação de risco do Brasil para "BB+" ante "BBB-" e sinalizou que pode colocar a nota ainda mais dentro do grau especulativo ao atribuir perspectiva negativa ao rating. O mercado espera que o governo reaja anunciando mais medidas fiscais.   Continuação...