Fraqueza da confiança do consumidor e da inflação nos EUA paira sobre decisão do Fed

sexta-feira, 11 de setembro de 2015 14:01 BRT
 

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - A confiança do consumidor dos Estados Unidos atingiu no início de setembro o nível mais baixo em um ano e os preços ao produtor ficaram estáveis em agosto, sinalizando crescimento econômico moderado e inflação fraca, o que pode pesar sobre a decisão do banco central norte-americano sobre elevar a taxa de juros na semana que vem.

Os números divulgados nesta sexta-feira contrastam com a força recente do mercado de trabalho. A confiança foi provavelmente afetada pela recente volatilidade do mercado acionário em meio a preocupações com a economia da China, enquanto a apreciação do dólar está amortecendo a pressão inflacionária.

"A forte deterioração da confiança do consumidor e a retomada da pressão desinflacionária... serão fatores de destaque nas deliberações do Fed na próxima semana. Ambos devem incentivar cautela conforme eles avaliam elevar os juros", disse o vice-economista-chefe do TD Securities Millan Mulraine.

A Universidade de Michigan informou que seu índice de confiança do consumidor caiu para 85,7 neste mês, nível mais baixo desde setembro passado, ante 91,9 em agosto.

O levantamento mostrou que as expectativas do consumidor caíram também para a mínima em um ano, uma vez que as famílias esperam que o crescimento mais lento no exterior afete a economia dos EUA. As expectativas dos consumidores para as finanças pessoais no presente e no futuro também sofreram.

"Esperamos os resultados finais da pesquisa de setembro para ver se há evidências de que a confiança mais fraca afetou a atividade de compras, mas esperamos que a renda robusta e o crescimento do emprego compensem esses fatores nos dados de consumo", disse o economista do Barclays Jesse Hurwitz.

Em outro relatório, o Departamento do Trabalho informou que os preços ao produtor ficaram estáveis em agosto após avançarem 0,2 por cento em julho. O peso sobre os preços ao produtor exercido por preços mais baixos do petróleo e pela alta do dólar foi compensado pelo aumento nas margens para vestuário, calçados e acessórios.

Nos 12 meses até agosto, o índice recuou 0,8 por cento, repetindo a taxa de julho. Foi a 12ª queda seguida do índice em 12 meses.