Eletrobras, Aneel e governo revisam contrato de Angra 3 após atraso

sexta-feira, 11 de setembro de 2015 16:36 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Eletrobras estão em discussões para rever o contrato de venda de energia da usina nuclear de Angra 3, que prevê início de produção em janeiro de 2016, uma data que não tem mais chances de ser cumprida.

O contrato, na modalidade de energia de reserva, foi assinado junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e prevê que no caso de descumprimento do cronograma, Angra 3 ficaria sujeita a, uma vez pronta, ter descontado de sua receita de venda o custo da eletricidade não entregue ao longo do período de atraso.

"O contrato da Eletronuclear com a CCEE está em processo de revisão – em conjunto com a holding Eletrobras, com o Ministério de Minas e Energia, e com a Agência Nacional de Energia Elétrica— para adequar o cronograma comercial ao de operação", informou o ministério, em nota à Reuters.

Segundo a pasta, "o planejamento energético do país já leva em conta o fato de que a energia do empreendimento estará disponível após 2018".

A última estimativa da Eletrobras para a conclusão de Angra 3 apontava para dezembro de 2018.

A estatal não respondeu a questionamentos sobre uma eventual mudança dessa expectativa, após o contrato de execução da montagem eletromecânica da usina ter sido suspenso por 60 dias devido ao pedido das empreiteiras Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Techint Engenharia para desistir da obra após atrasos em pagamentos.

O governo também não informou quando será concluída a revisão do contrato e nem qual será a nova data de entrega da energia.

Orçada em 14,8 bilhões de reais, Angra 3 começou a ser construída nos anos 1980 e chegou a ser paralisada em 1986, com retomada das obras em 2010.

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras responsável pelo empreendimento, está na mira da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga casos de corrupção envolvendo políticos, executivos de empreiteiras e as estatais Petrobras e Eletrobras.   Continuação...