CORREÇÃO-Mercado de eletricidade tem R$5 bi parados à espera de acordo sobre crise hídrica

segunda-feira, 14 de setembro de 2015 18:18 BRT
 

(Corrige no 13º parágrafo para deságio de "cerca de 10 reais por megawatt-hora" e não "10 por cento")

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A discussão entre governo e empresas por um acordo para solucionar perdas de hidrelétricas com a seca, que paralisou a liquidação financeira de contratos de energia, deixa um total de mais de 5 bilhões de reais em pagamentos em aberto no setor, estimam especialistas consultados pela Reuters.

As liquidações, que estipulam pagamentos e recebimentos no mercado de energia, estão paralisadas enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) conduz uma audiência pública para fechar com as elétricas uma solução para os prejuízos decorrentes do déficit hídrico. Essa paralisia tem tido efeito nas negociações no mercado, reduzindo o número de novos negócios, além do preço.

Pela proposta da Aneel, após encarar dois anos de perdas de receitas devido à falta de água para produzir energia, as empresas receberiam uma compensação por parte do que perderam em 2015. Em troca disso, elas precisariam aceitar uma redução no preço de venda da energia para os consumidores e retirar liminares judiciais nas quais conseguiram proteção contra novos prejuízos decorrentes da crise hídrica.

Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o mercado está travado por 58 ações judiciais motivadas pela disputa em torno do déficit, sendo que 41 dessas ações protegem empresas ou grupos de investidores que possuem hidrelétricas, enquanto as demais são de companhias que temiam ter de pagar a conta devido às liminares obtidas pelas outras.

O diretor da consultoria e comercializadora Safira Energia, Mikio Kiwai Jr, estima que 5,4 bilhões de reais em liquidações de contratos de energia estejam em aberto na CCEE.

Desse montante, cerca de 1,4 bilhão de reais são referentes à inadimplência apurada na liquidação dos contratos de junho, que envolveu 3 bilhões de reais e registrou um calote recorde de quase 50 por cento, justamente devido às liminares vigentes.[nL1N10H3FS]

O valor restante é referente às liquidações de julho e agosto. A primeira aconteceria na semana passada, mas foi adiada e será realizada em conjunto com a liquidação dos contratos de agosto, em 7 e 8 de outubro, enquanto o governo tenta costurar o acordo.   Continuação...