Tombini defende ajustes fiscais e pede tempestividade na implementação

terça-feira, 15 de setembro de 2015 12:07 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu nesta terça-feira o processo de ajustes fiscais no país, afirmando que quanto mais tempestivamente eles forem feitos, mais rápido a economia se beneficiará, um dia após o governo anunciar medidas para cortar despesas e incrementar a receita com o objetivo de reequilibrar as contas públicas.

Para Tombini, o momento deve também ser aproveitado para repensar a estrutura tributária e os gastos públicos.

"Considerando que o ajuste fiscal também possui suas próprias defasagens entre a discussão e a adoção das medidas e seus resultados, quanto mais tempestiva for a implementação do processo em curso, mais rápida será a retomada de uma trajetória favorável para a dívida pública e para a confiança de famílias e empresas", disse ele durante apresentação em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Tombini afirmou que os ajustes são "fundamentais para estabelecer bases sólidas para a retomada do crescimento", acrescentando que eles eliminam distorções e vulnerabilidades.

"Tendo em conta que o processo de recuperação dos resultados fiscais tem ocorrido em velocidade inferior à inicialmente prevista, é fundamental que seja mantida determinação para a retomada de resultados primários positivos", acrescentou o presidente.

Na véspera, o governo federal anunciou um pacote de medidas fiscais no valor de 65 bilhões de reais com o objetivo de garantir superávit primário em 2016 e resgatar a credibilidade, menos de uma semana após o Brasil ter pedido o selo internacional de bom pagador pela Standard & Poor's. Boa parte das medidas, no entanto, depende de aprovação do Congresso Nacional, em meio ao clima político negativo para a presidente Dilma Rousseff.

Tombini reconheceu que a recente perda pelo Brasil do grau de investimento torna a situação mais desafiadora, reforçando a necessidade de determinação e perseverança na condução da política monetária.

Mas ele afirmou que o país tem instrumentos para atravessar esse "momento complexo", permeado por intenso ajuste de preços, chamando a atenção para o fato de a significativa depreciação cambial não estar gerando desequilíbrios financeiros.

Durante sua fala, o presidente do BC reiterou que a manutenção da taxa básica de juros no atual patamar de 14,25 por cento ao ano por período "suficientemente prolongado" é necessária para a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento pelo IPCA no final de 2016, objetivo perseguido pela autoridade monetária.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.   28/08/2015   REUTERS/Jonathan Crosby