Dólar sobe 1,28% ante real por preocupações com medidas fiscais

terça-feira, 15 de setembro de 2015 17:15 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de mais de 1 por cento sobre o real nesta terça-feira, com investidores preocupados com a perspectiva de as medidas fiscais anunciadas na véspera não sobrevivam ao Congresso e adotando cautela antes da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, nesta semana e que pode anunciar aumento na taxa de juros.

O dólar avançou 1,28 por cento, a 3,8626 reais na venda, revertendo boa parte da queda na véspera, de 1,63 por cento, quando o mercado reagiu bem às medidas, com a avaliação de que esforço fiscal poderia evitar que o Brasil perdesse o selo de bom pagador por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor's.

"A maioria das medidas depende da aprovação do Congresso e levando em conta a baixa popularidade (da presidente Dilma Rousseff) e as relações difíceis com o Legislativo, vai ser difícil", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

O governo anunciou na véspera um pacote de medidas fiscais de 65 bilhões de reais, com o objetivo de garantir superávit primário em 2016 e resgatar a credibilidade das contas públicas. A principal proposta é a recriação da polêmica CPMF, imposto sobre operações financeiras, que deverá ter tramitação difícil no Congresso Nacional.

Pouco após o anúncio, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que é "temeroso" que o governo condicione o ajuste fiscal à volta da CPMF.

O analista da Moody's Mauro Leos informou em comunicado nesta terça-feira que as medidas pelo governo brasileiro na véspera são um "desenvolvimento positivo" e mais equilibradas do que as propostas anteriores, que lidavam basicamente com medidas do lado da receita.

"O resultado final é: as medidas apontam na direção correta, mas dificilmente vão ser aprovadas como um todo e não lidam com os problemas de longo prazo", resumiu o operador de um banco nacional.

No campo externo, a proximidade da reunião do Fed gerou cautela. As turbulências financeiras recentes originadas por temores de desaceleração da China lançaram dúvidas sobre a perspectiva de início do aperto monetário nos Estados Unidos, que pode atrair recursos aplicados atualmente em outros países.   Continuação...