MAN vê recuperação de vendas de caminhões em 2016 e lança pacote "anticrise"

quarta-feira, 16 de setembro de 2015 14:40 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A maior fabricante de caminhões do Brasil, a MAN, do grupo Volkswagen, espera que as vendas de caminhões do mercado brasileiro no próximo ano cresçam, mas para um patamar ainda longe dos níveis alcançados em anos recentes, afirmou o presidente da companhia para América Latina, Roberto Cortes, nesta quarta-feira.

A expectativa da companhia para 2015 é que o Brasil registre vendas de 75 mil caminhões novos, que se confirmada representará uma queda de 45 por cento sobre 2014, que por sua vez já tinha amargado queda de 11 por cento sobre 2013.

"Acho difícil as vendas caírem mais que este ano. Devem chegar a 100 mil unidades ano que vem, o que ainda é muito longe de 2014", disse Cortes. "Espero que já tenhamos atingido o fundo do poço."

O executivo apresentou nesta quarta-feira uma nova modalidade de venda de caminhões novos, parte de um "pacote anticrise" que inclui versões mais baratas de modelos já comercializados pela montadora.

Em caráter experimental, a MAN apresentou um programa de leasing operacional apoiado pelo Banco Volkswagen. Pelo modelo, o cliente poderá usufruir de determinados modelos extra pesados de caminhões da marca, mas em vez de ficar com a posse do bem, e todas as suas obrigações e despesas, paga uma mensalidade. Ao final do contrato, poderá comprar o veículo a preços de mercado ou devolver o caminhão ao banco e fazer um novo contrato de leasing.

Segundo a MAN, a modalidade tem custo 30 por cento menor do que o programa federal de financiamento Finame, que teve juros ampliados diante do agravamento da situação fiscal do governo.

A expectativa é viabilizar com essa modalidade a venda de 400 caminhões extra pesados no prazo de 6 a 8 meses. A empresa poderá expandir o programa a outros modelos a depender dos resultados. De janeiro a agosto, as vendas de caminhões pesados da MAN no Brasil somaram 1.400 unidades, uma queda de quase 60 por cento sobre o mesmo período do ano passado.

"Os lançamentos de hoje são uma reação à crise", disse Cortes. "A instabilidade política não pode durar mais tempo. É ela que está reduzindo a confiança dos empresários para investir. Não pode durar mais tempo porque isso é insuportável", disse o executivo durante a apresentação dos produtos.   Continuação...