Governadores aliados defendem no Congresso CPMF maior, apesar da resistência de parlamentares

quarta-feira, 16 de setembro de 2015 19:09 BRT
 

Por Leonardo Goy e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - Em meio a dificuldades financeiras nos Estados, governadores ligados à base aliada da presidente Dilma Rousseff fizeram nesta quarta-feira uma peregrinação no Congresso em prol da volta da CPMF, com alíquota de 0,38 por cento, superior à proposta pelo governo, apesar de resistências dos parlamentares e críticas por parte do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Após reuniões com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e com lideranças e os presidentes da Câmara e do Senado, os governadores defenderam a volta da CPMF com alíquota superior à proposta pelo governo de 0,20 por cento, desde que a diferença seja dividida em partes iguais entre Estados e municípios.

O governado do Piauí, Wellington Dias (PT), defendeu ainda que os recursos arrecadados com a contribuição sejam também destinados à saúde, e não apenas para a Previdência, como proposto pelo governo federal originalmente.

Além de Dias, participaram das reuniões pelo menos outros sete governadores de partidos aliados do governo federal.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse que a proposta para a CPMF já conta com o apoio de 23 governadores. “Temos a solidariedade de mais de 23 governadores que tem esse mesmo posicionamento”, disse.

A recriação da CPMF encontrou forte resistência no Congresso num momento de grande fragilidade política de Dilma e tensão na relação entre o Palácio do Planalto e o comando da Câmara dos Deputados.

Após a reunião com os governadores, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que a proposta de recriar a CPMF está "fadada a uma derrota fragorosa", mesmo com o apoio de governadores.

“Eu não vejo possibilidade de acabar até 31 de dezembro uma PEC que não tem objeção, que dirá uma com objeção. Esse é o processo legislativo, sem qualquer problema já atrasa, já tem o seu tempo, não tem jeito”, disse, mas afirmou que não vai, no entanto, obstruir uma votação sobre o assunto.   Continuação...