ANÁLISE-Eventual união de AB InBev e SABMiller deve deixar China de fora

sexta-feira, 18 de setembro de 2015 10:44 BRT
 

Por Adam Jourdan e Denny Thomas

XANGAI/HONG KONG (Reuters) - Um eventual casamento bem-sucedido entre as cervejarias Anheuser-Busch InBev e SABMiller vai certamente ter de ser feita sem uma das joias da coroa da SABMiller: a participação de 49 por cento da empresa na marca de cerveja mais vendida da China.

Isso vai significar que a possível megafusão vai ter de deixar de lado a enorme rede de distribuição e instalações de engarrafamento detidas pela joint venture chinesa da SAB, a CR Snow, uma plataforma que ajudaria a companhia combinada a crescer no grande mercado chinês.

A tentativa da AB InBev de abocanhar a SABMiller enfrenta dois grandes obstáculos na China, onde a SAB e sua parceira na joint venture, a China Resources Enterprises (CRE), produzem a Snow, a cerveja mais vendida no mundo em volume.

O primeiro é que a mudança no controle que será gerada pela operação provavelmente vai dar à CRE direito de comprar a participação da SAB na joint venture, uma opção que fontes em bancos de investimento afirmam que a CRE tem interesse em exercer.

O segundo é que a combinação entre AB InBev e SABMiller expandiria a participação de mercado do novo grupo na China para 37 por cento, levantando preocupações entre autoridades de defesa da concorrência no país.

Em 2008, o Ministério do Comércio da China aprovou a compra da Anheuser-Busch pela InBev por 52 bilhões de dólares, mas impediu que as duas empresas aumentassem suas participações em companhias domésticas, em um sinal de preocupação das autoridades chinesas sobre a concentração no mercado de cerveja.

"É altamente provável que a China possa exigir que a SABMiller tenha que vender sua participação de 49 por cento na joint venture como condição para liberar a transação", afirmou o advogado Leon Liu, sócio do escritório de advocacia MWE China, baseado em Xangai.

O Ministério do Comércio da China não comentou o assunto.   Continuação...

 
Logotipo da AB InBev na sede do grupo em Leuven (Bélgica). 26/02/2015. REUTERS/Francois Lenoir