Trabalhadores da Volkswagen no ABC aceitam corte de jornada e salário

sexta-feira, 18 de setembro de 2015 11:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Metalúrgicos da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) aceitaram adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) lançado pelo governo federal e que prevê corte de salários e jornada de trabalho, informou o sindicato local nesta sexta-feira.

A adesão da fábrica que emprega cerca de 12 mil trabalhadores ao esquema representa um impulso às tentativas do setor e do governo federal de evitar demissões em massa em um momento em que as vendas de veículos no país são as piores em cerca de 10 anos. Anteriormente, a fábrica de ônibus e caminhões da Mercedes-Benz já havia aderido ao PPE.

Os trabalhadores da Volkswagen aceitaram redução de jornada de trabalho em 20 por cento durante seis meses, prorrogáveis por mais seis, e corte de 10 por cento nos salários. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) vai bancar os vencimentos de parcela de 10 por cento dos salários dos trabalhadores no PPE, informou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

A Volkswagen afirmou por meio de nota curta apenas que vai solicitar ao governo federal a adesão da fábrica do ABC ao PPE.

Segundo o sindicato, a negociação realizada com a montadora incluiu ainda dois itens que não são assegurados pelo PPE. Um deles é a não incidência de redução salarial nas férias e décimo terceiro salário. O outro é a garantia de complementação, por parte da empresa, quando a compensação máxima paga pelo governo – que é de 900,24 reais - não atingir a redução salarial do trabalhador.

"Desta forma estamos assegurando que, de fato, nenhum trabalhador terá uma redução salarial maior do que 10 por cento", disse Wagner Santana, secretário geral do sindicato.

A entidade afirmou ainda que 850 trabalhadores de 2.600 que estavam com contratos de trabalho suspensos (layoff) retornarão à fábrica em 1o de novembro. O restante cumprirá o tempo previsto, retornando à fábrica no início de janeiro.

O acordo foi alcançado apesar de os trabalhadores terem assinado anteriormente acordo coletivo com a montadora que previa estabilidade de emprego na unidade até 2019, mas a manutenção valeria apenas sob nível mínimo de produção de 250 mil veículos por ano. "A produção vem caindo e devemos terminar o ano abaixo dos níveis que estavam previstos no acordo", disse Santana.

A fábrica da Volkswagen em São Bernardo produz os modelos Gol, Saveiro e Jetta. De janeiro a agosto, as vendas de carros da Volkswagen no Brasil, que também tem fábrica no Paraná e em Taubaté (SP), acumulam queda de 34 por cento. Já as vendas de comerciais leves somam baixa de 21 por cento, segundo dados da associação de montadoras Anfavea.

(Por Alberto Alerigi Jr.)