ESPECIAL-Obras de logística de projeto da Vale avançam alheias à baixa cotação do minério

sexta-feira, 18 de setembro de 2015 15:14 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO LUÍS (Reuters) - É difícil olhar para os lados nos canteiros de obras da Vale em seu terminal marítimo em São Luís (MA) e não ver dezenas de trabalhadores, máquinas e caminhões circulando e trabalhando em ritmo frenético, num gigantesco esforço para concluir a obra que vai começar a colocar mais 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano no mercado global já a partir do ano que vem.

Engenheiros e operários dão de ombros para a situação dos preços do minério, que despencaram a uma mínima histórica poucos meses atrás, em grande parte devido à crescente oferta global de grandes mineradoras como a própria Vale e suas rivais australianas BHP e Rio Tinto.

"Estamos seguindo um planejamento muito maduro. Não tem nenhuma diretriz para acelerar ou atrasar", disse o diretor de Implantação de Projetos Logística Norte, Adriano Mansk, responsável pelas obras, que acompanhou a reportagem da Reuters em uma visita às novas áreas do terminal marítimo de Ponta da Madeira, na capital maranhense.

A Vale trabalha intensamente também no interior, para começar a produzir no segundo semestre de 2016 minério de alta qualidade em uma nova mina no sudeste do Pará, o projeto S11D, que fica no principal polo produtor Carajás, de onde extraiu 120 milhões de toneladas no ano passado.

Para a nova produção chegar aos compradores no exterior, é preciso construir um novo ramal ferroviário de 100 quilômetros e duplicar gradualmente 570 quilômetros já existentes da Estrada de Ferro Carajás, rumo a São Luís.

No porto, está sendo feita uma ampliação das instalações em terra, como oficinas para os trens, mais equipamentos para descarregar as composições e novos pátios para armazenar minério.

Dentro do mar, em um píer que está a 1.800 metros da costa, sob influência de fortes correntes de maré, a Vale também trabalha em uma estrutura gigantesca, um novo berço para atracar e carregar os navios Valemax, os maiores mineraleiros do mundo, com capacidade para transportar 400 mil toneladas de minério em uma única viagem.

O levantamento mais recente da companhia, ao qual a Reuters teve acesso, mostra que até 31 de julho as obras de expansão da retroárea do terminal marítimo já estavam 60,1 por cento concluídas, enquanto o novo berço de atracação estava 58 por cento concluído.   Continuação...