Dólar sobe 0,57% e encosta em R$4 por preocupações fiscais

segunda-feira, 21 de setembro de 2015 17:45 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta nesta segunda-feira, terceiro avanço seguido e pressionado por preocupações com as contas públicas brasileiras, mas a defesa da manutenção do veto presidencial ao reajuste de servidores públicos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tirou a moeda norte-americana das máximas da sessão, quando encostou em 4 reais.

O dólar avançou 0,57 por cento, a 3,9809 reais na venda. A única vez na história em que ele terminou em patamar mais alto foi em 10 de outubro de 2002 (3,990 reais). Na máxima do dia, a divisa atingiu 3,9990 reais, a milímetros de distância do recorde intradia de 4 reais.

Nas últimas três sessões, o dólar acumulou alta de 3,83 por cento contra o real.

"As incertezas políticas e o temor de perder o grau de investimento por uma segunda agência de classificação de risco pressionam muito o câmbio, e não há perspectiva de melhora no curto prazo", disse o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

O mercado vem adotando estratégias mais defensivas, com medo de que o Congresso possa derrubar nesta semana vetos da Presidência a medidas que aumentam os gastos, dificultando o ajuste fiscal.

Essas preocupações foram parcialmente reduzidas nesta tarde após Cunha afirmar que derrubar o veto sobre o reajuste salarial dos servidores do Judiciário seria "colocar mais gasolina na fogueira".

Caso o veto for retirado, as contas públicas do país sofrerão, justamente no momento em que o governo tentar requilibrá-las.

"Não esperamos qualquer choque positivo à confiança ou reversão da situação de baixo crescimento e baixa confiança dos investidores", escreveu a estrategista para a América Latina do banco Jefferies, Siobhan Morden, em nota a clientes.   Continuação...

 
Notas de real e dólar. 10/9/2015 REUTERS/Ricardo Moraes