Governo estuda reduzir compulsório para aumentar crédito agrícola

segunda-feira, 21 de setembro de 2015 17:58 BRT
 

Por Marcela Ayres e Aluísio Alves

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal estuda reduzir os depósitos que os bancos são obrigados a recolher diariamente aos cofres do Banco Central como forma de ampliar o volume de recursos disponíveis para o agronegócio, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto.

"É bem provável que saia. É um setor que já não responde como antes, mas tem tido um desempenho ainda superior a outros setores da economia", disse uma fonte com conhecimento das discussões, falando em condição de anonimato.

O governo recebeu sinalização positiva de representantes do próprio setor financeiro, disse uma das fontes. Isso porque parte dos recursos para o agronegócio vem dos depósitos à vista, que têm diminuído em função da crise econômica.

Mas o governo tem tratado o assunto com cuidado e ainda não bateu o martelo a favor da flexibilização por duas razões, disse a mesma fonte. Uma delas é a forma de comunicar a decisão, para evitar críticas de que está praticando expansão monetária.

A outra é para certificar-se de que os recursos que seriam liberados com a redução do compulsório bancário iriam mesmo para o agronegócio em vez de os bancos usarem-nos para aplicar em títulos públicos.

Procurado, o BC não comentou o assunto.

A iniciativa é debatida num momento em que o setor agrícola tem conseguido escapar da recessão. No segundo trimestre, a atividade agropecuária teve expansão de 1,8 por cento sobre igual período de 2014, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 2,6 por cento na mesma comparação.

Ainda assim, produtores vêm relatando dificuldade na análise de crédito para financiamento, num momento de juros mais altos e bancos mais restritivos na concessão de empréstimos.   Continuação...