Draghi diz que é muito cedo para decidir sobre mais estímulos

quarta-feira, 23 de setembro de 2015 11:53 BRT
 

Por Francesco Guarascio e Balazs Koranyi

BRUXELAS (Reuters) - Os riscos ao cenário de inflação e economia na Europa aumentaram devido à desaceleração dos mercados emergentes, mas o Banco Central Europeu precisa de mais tempo para avaliar se reforça seu programa de estímulos, afirmou nesta quarta-feira o presidente do BCE, Mario Draghi.

Ele disse que a aceleração da alta dos preços na direção da meta do BCE de 2 por cento vai levar mais tempo do que esperado, e que o banco está pronto para aumentar seu programa de compra de ativos de mais de 1 trilhão de euros se necessário.

Mas precisa de mais evidências para determinar se a desaceleração da China, a alta do euro e a queda dos preços do petróleo vão tirar a inflação de sua trajetória projetada.

As declarações relativamente "hawkish" de Draghi foram de encontro às expectativas do mercado de que o BCE estaria perto de ampliar as compras de ativos e fortalecer o euro.

"O programa de compra de ativos tem flexibilidade embutida suficiente", disse Draghi ao Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu. "Vamos ajustar seu tamanho, composição e duração conforme for apropriado, se mais impulso de política monetária se tornar necessário."

Ele afirmou que é necessário mais tempo para determinar se a desaceleração dos mercados emergentes é permanente ou temporária e para avaliar as forças por trás da queda internacional nos preços das commodities e as recentes turbulências nos mercados financeiros.

As afirmações de Draghi vieram após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deixar a taxa de juros inalterada na semana passada por preocupações com a China.

A desaceleração econômica da China também foi uma das principais preocupações de Draghi nesta quarta-feira, e ele disse que os desafios dos mercados emergentes permanecerão "por algum tempo".

Nesta manhã foi divulgado que a atividade do setor industrial da China inesperadamente encolheu em setembro ao seu nível mais baixo em 6 anos e meio, segundo dados preliminares do PMI da indústria chinesa, aumentando os temores de que desaceleração mais aguda na segunda maior economia do mundo possa lançar mais turbulência nos mercados financeiros.