ESPECIAL-Porto de Itaqui ganha relevância no agronegócio, antecipa metas e atrai investidor

quarta-feira, 23 de setembro de 2015 15:10 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO LUÍS, Maranhão (Reuters) - As águas profundas da Baía de São Marcos, em frente a São Luís, há décadas recebem um grande número de enormes navios de minério de ferro e de derivados de petróleo, mas nos últimos meses é cada vez mais comum a presença de um outro tipo de embarcação: graneleiros que têm tornado a região também um dos mais disputados polos de exportação de produtos agrícolas do Brasil.

O porto do Itaqui --que funciona ao lado de um enorme terminal da mineradora Vale, na capital maranhense-- duplicou entre janeiro e agosto seu volume embarcado de soja, milho e farelo de soja, na comparação com o mesmo período do ano passado, números impressionantes que levam empresas com atuação no local a antecipar planos de expansão e atraem sondagens de outros investidores.

Em agosto, por exemplo, Itaqui foi o quarto porto brasileiro em movimentação de cargas agrícolas, atrás apenas de portos tradicionais, como Santos, Rio Grande e Paranaguá. Um ano antes, Itaqui era o sétimo no ranking, segundo informações da agência marítima Williams.

A diferença que permitiu o salto na movimentação de cargas está em um novo projeto privado, chamado de Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), que embarcou seu primeiro navio de soja em março deste ano.

"O modelo de porto público com investimento privado é um sucesso. Temos aqui um porto maduro e pronto", disse o presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), que administra Itaqui, Ted Lago.

Ele acrescentou que outros projetos deverão ser atraídos para o local no embalo do Tegram, operado por um consórcio integrado por pesos-pesados do mercado global de commodities, como Glencore, Louis Dreyfus, Amaggi, CGG Trading e NovaAgri (da Toyota Tsusho).

As exportações do Tegram em Itaqui somam-se às de outro terminal, o da VLI, empresa de logística que tem a Vale como principal acionista e que opera ali há alguns anos.

Nos dois casos, são investimentos privados com concessão para usar o cais público, beneficiando-se de características únicas entre portos brasileiros, como o calado profundo, que permite o carregamento de navios de grande porte, e a proximidade com o Canal do Panamá, que está em ampliação e abre novas oportunidades para os portos do norte do Brasil.   Continuação...

 
Equipamento para carregamento de grãos em navio no Porto de Itaqui, no Maranhão. 17/09/2015 REUTERS/Gustavo Bonato