ANÁLISE-Turbulências complicam intervenção do BC no câmbio; mercado vê ainda mais leilões de linha

quarta-feira, 23 de setembro de 2015 18:05 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - A intensa pressão no mercado de câmbio nas últimas semanas complicou a estratégia de intervenção do Banco Central, aumentando o custo e diminuindo a eficácia dos swaps cambiais, o que deve levar a autoridade monetária a continuar realizando com mais frequência leilões de linha, quando vende dólares com compromisso de recompra.

O dólar engatou a quinta marcha sobre a moeda brasileira e rompeu a marca histórica dos 4 reais no fechamento de terça-feira, diante da deterioração das contas públicas do Brasil --que provocou a perda do selo de bom pagador do país neste mês pela Standard & Poor's-- e da intensa crise política.

Nesta quarta-feira, a divisa norte-americana saltou 2,28 por cento, a 4,1461 reais na venda e renovando a máxima. No ano, o dólar já avançou quase 56 por cento ante o real.

Três operadores de bancos "dealers", que negociam diretamente com o BC e que falaram sob condição de anonimato, afirmaram à Reuters que a tendência é que a autoridade monetária faça mais leilões de linha para balizar o mercado.

Até agora, o BC só divulgou os resultados dos três leilões de linha realizados de 31 de agosto a 10 de setembro. A autoridade monetária não vendeu dólares no primeiro leilão, fez venda parcial no segundo e colocou a oferta total no terceiro. Desde então, foram promovidos mais três operações desse tipo, duas delas nesta quarta.

A perspectiva de oferta maior de leilões de linha ganhou força com a disparada recente do cupom cambial, que equivale ao custo de financiamento em dólares. Segundo estrategistas, o objetivo do BC teria sido "acalmar" o cupom cambial e, inclusive, apontar que não há problemas de liquidez.

Dados do próprio BC mostram que o Brasil registrou entrada líquida de 11,659 bilhões dólares em 2015 até 18 de setembro. Só na semana passada, o ingresso foi de cerca de 900 milhões de dólares.

"Um programa (de swaps) que tem um custo significativo e um impacto menor não é mais um programa ótimo", disse o estrategista-chefe para a América Latina do BNP Paribas, Gabriel Gersztein.   Continuação...