BC ressalta piora nas expectativas de inflação, mas vê economia mais fraca

quinta-feira, 24 de setembro de 2015 11:41 BRT
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central destacou nesta quarta-feira a recente deterioração das expectativas de inflação após ter havido certo progresso, mas avaliou que essa piora ainda é de "pequena magnitude" em meio às piores percepções dos agentes econômicos sobre o balanço de risco e trajetória fiscal do país.

Ao mesmo tempo, o BC ressaltou que a economia está ainda mais fraca, compensado a alta do dólar na inflação, indicando que não deve continuar não mexendo na taxa básica de juros.

"De um lado, os avanços alcançados no combate à inflação... mostram que a estratégia de política monetária está na direção correta", trouxe o relatório. "De outro lado, elevações recentes de prêmios de risco, que se refletem nos preços de ativos, exigem que a política monetária se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta".

O BC piorou suas expectativas para a inflação em 2016, pelo cenário de referência, com alta do IPCA a 5,3 por cento, sobre 4,8 por cento no relatório de junho, distanciando-se do centro da meta --4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Esse cenário levou em conta a Selic de 14,25 por cento ao ano e dólar a 3,90 reais, já distante do atual patamar acima de 4,20 reais nesta manhã. Para 2015, o BC elevou a perspectiva para a inflação a 9,5 por cento, contra 9,0 por cento, vendo, por outro lado, alta do IPCA de 4,0 por cento no terceiro trimestre de 2017.

Em um boxe específico sobre a influência do dólar na inflação, o BC concluiu que a economia em recessão deve mais que compensar o impacto dos choques cambiais no restante deste ano.

"Por tudo que está escrito, você tem reconhecimento que a projeção piorou, mas existe a manutenção da meta de inflação em 4,5 por cento em 2016 com o argumetno da atividade ruim", avaliou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima, para quem o BC não deve mexer na Selic até o ano que vem.

Os mercados estão turbulentos diante das preocupações com a capacidade de o Brasil efetivamente reequilibrar as contas públicas após a perda do selo de bom pagador pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.  23/09/2015    REUTERS/Ueslei Marcelino