Juros dos mercados não servem de guia à política monetária, diz Tombini

quinta-feira, 24 de setembro de 2015 12:50 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Em uma aparição surpresa, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, foi bastante contundente nesta quinta-feira ao afirmar que as taxas de juros nos mercados não servirão de "guia" para a condução da política monetária nos próximos meses, reafirmando a estratégia de manutenção da Selic em 14,25 por cento por período "suficientemente prolongado".

Tombini, que deu uma declaração e respondeu a perguntas de jornalistas antes da coletiva de imprensa sobre o Relatório Trimestral de Inflação, disse que o BC irá assegurar que o mercado de câmbio funcione de forma eficaz, acrescentando que o BC e o Tesouro têm instrumentos adequados para evitar volatilidade e ansiedade nos mercados.

"O BC reafirma sua estratégia de política monetária, de manutenção da Selic... por período suficientemente prolongado", afirmou o Tombini, acrescentando que o aumento nos prêmios de risco não "devem ser entendidos como mudança da política monetária".

Ele disse ainda que o atual momento dos mercados financeiros já estava sendo esperado pelo BC e que a entidade não foi pega de surpresa.

Diante da aguda falta de confiança dos agentes econômicos, afetada pela crise econômica e política do país, os contratos de DIs dispararam nos últimos dias, precificando apostas de que o BC voltaria a elevar a taxa básica de juros novamente neste ano, mesmo após a autoridade monetária ter interrompido o ciclo de aperto no início deste mês.

Após a fala de Tombini, os contratos de juros futuros reduziram fortemente as alta, com os DIs mais longos até passando a cair.

Ele voltou a repetir que o objetivo do BC é levar a inflação para o centro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos-- no final de 2016, apesar de o próprio BC ter piorado sua projeção para o indicador.

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