Importação de trigo pelo Brasil pode cair 13,5% em 2015, estima Abitrigo

quinta-feira, 24 de setembro de 2015 14:06 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A importação de trigo pelo Brasil em 2015 poderá atingir cerca de 5 milhões de toneladas, o que seria um recuo de 13,5 por cento ante o total importado em 2014, em meio a um consumo menor no país, um dólar mais alto que encarece as compras externas e também uma safra local potencialmente maior.

A avaliação foi feita nesta quinta-feira pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Sergio Amaral, em entrevista à Reuters, após evento da entidade em São Paulo.

As compras externas do Brasil, um dos maiores importadores globais do cereal, dependeriam do tamanho da safra do país, com colheita em andamento, acrescentou Amaral.

No acumulado do ano até agosto, as importações brasileiras de trigo somam 3,3 milhões de toneladas, uma queda de cerca de 20 por cento ante o mesmo período ano passado, com a maior parte do produto importado (2,7 milhões de toneladas) com origem na Argentina e cerca de 300 mil nos Estados Unidos, segundo dados da Abitrigo.

Isso diante de um recuo no consumo de farinha de trigo, que pode fechar o ano em baixa de 2,5 por cento a 3 por cento, segundo previsão da Abitrigo, em meio a uma economia em recessão. "Ainda é uma queda menor do que em outros setores", ponderou o presidente da associação.

Apesar de incertezas com a safra do Brasil, atingida recentemente por chuvas intensas especialmente no Sul do país, a Abitrigo ainda espera um aumento ante o total colhido em 2014, o que também explica uma importação menor.

O último dado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta uma colheita de 7 milhões de toneladas em 2015, aumento de pouco mais de 1 milhão de toneladas ante 2014, segundo previsão divulgada no início de setembro.

De acordo com Amaral, o número atual da Conab ainda não mede o impacto das chuvas no Sul, mas ele acredita que se a produção for de 6 milhões de toneladas não será "nada fora dos padrões" do setor, ou seja, não traria grandes impactos.   Continuação...