Tombini: juro do mercado não serve de guia à política monetária; não descarta usar reservas no câmbio

quinta-feira, 24 de setembro de 2015 17:35 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Em uma aparição surpresa, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, foi bastante contundente nesta quinta-feira ao afirmar que as taxas de juros nos mercados não servirão de "guia" para a condução da política monetária nos próximos meses, reforçando que a volatilidade no mercado vem do aumento dos prêmios de riscos e pode estar contaminando temporariamente as expectativas.

Tombini, que deu uma declaração e respondeu a perguntas de jornalistas antes da coletiva de imprensa sobre o Relatório Trimestral de Inflação, disse que o BC irá assegurar que o mercado de câmbio funcione de forma eficaz, e não descartou usar diretamente as reservas internacionais para segurar a escalada do dólar sobre o real.

"O BC reafirma sua estratégia de política monetária, de manutenção da Selic... por período suficientemente prolongado", afirmou Tombini, acrescentando que o aumento nos prêmios de riscos não "devem ser entendidos como mudança da política monetária".

Ele disse ainda que o atual momento dos mercados financeiros já estava sendo esperado pelo BC e que a entidade não foi pega de surpresa.

Diante da aguda falta de confiança dos agentes econômicos, afetada pela crise econômica e política do país, os contratos de DIs dispararam nos últimos dias, precificando apostas de que o BC voltaria a elevar a taxa básica de juros novamente neste ano, mesmo após a autoridade monetária ter interrompido o ciclo de aperto no início deste mês.

Após a fala de Tombini, os contratos de juros futuros reverteram alta e passaram a cair.

Ele voltou a repetir que o objetivo do BC é levar a inflação para o centro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos-- no final de 2016, apesar de o próprio BC ter piorado sua projeção para o indicador.

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Presidente do BC, Alexandre Tombini, chega ao Ministério da Fazenda em Brasília. 24/9/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino