Odebrecht descarta reestruturação de dívidas do grupo; busca opções para Odebrecht Óleo e Gás

quinta-feira, 24 de setembro de 2015 20:40 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Grupo Odebrecht S.A. disse nesta quinta-feira que está buscando alternativas para os bônus da Odebrecht Óleo e Gás, incluindo novo afretamento de sondas ou devolução de algumas delas, mas descartou que esteja buscando uma renegociação de dívidas de todo o conglomerado, que soma aproximadamente 88 bilhões de reais.

"Não faz sentido mencionar uma negociação consolidada em nome do Grupo Odebrecht", afirmou a companhia, em nota à Reuters.

Segundo o conglomerado, apenas os negócios do grupo que possuem receitas e fluxos de caixa atrelados ao dólar podem captar dívidas na moeda norte-americana. E, com exceção dos papéis da Odebrecht Óleo e Gás, os demais bônus de empresas do grupo não são alvos de "reestruturações neste momento".

O desempenho dos bônus da Odebrecht Óleo e Gás, de 2,2 bilhões de dólares, emitidos pela Odebrecht Offshore Drilling, têm sido afetados pela possibilidade de devolução de uma das quatro sondas que fazem parte do pacote de garantias do financiamento. Neste ano, a cotação desses papéis já caiu mais de 50 por cento, segundo dados da Reuters.

Nesta quinta-feira, a Petrobras confirmou ter rescindido contrato de afretamento da unidade de sondas ODN TAY IV com a Odebrecht Óleo e Gás. Segundo a estatal, a rescisão ocorreu "com base em fundamento contratual expresso".

"Estamos considerando alternativas, e ainda temos 90 dias para decidir", disse à Reuters a vice-presidente financeira da Odebrecht S.A., Marcela Drehmer.

Segundo a executiva, o conglomerado está tomando medidas para ampliar sua posição de liquidez, incluindo contenção de novos investimentos no Brasil e otimização da estrutura do grupo. Algumas empresas da Odebrecht, por exemplo, passaram nos últimos meses a usar várias áreas de suporte da holding, como jurídica e administrativa.

Enquanto isso, operações no exterior têm ganhado força e já representaram 52 por cento das receitas consolidadas da Odebrecht no primeiro semestre, ante 49 por cento em 2014.

(Por Aluisio Alves, com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal)