BofA ML corta previsões para investimento e crescimento da produção da Petrobras

sexta-feira, 25 de setembro de 2015 15:51 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Bank of America Merrill Lynch cortou previsões de investimento e do crescimento da produção da Petrobras, dizendo que cortes agressivos nessas variáveis são necessários para a estatal ser capaz de evoluir de forma mais eficiente na desalavancagem de seu balanço dada a continuidade da deterioração do ambiente macroeconômico.

"Nesta fase, as questões patrimoniais tornaram-se a prioridade decisiva versus crescimento da produção", afirmaram os analistas Frank McGann e Vicente Falanga Neto, em relatório a clientes.

Eles avaliam que novas reduções nos investimentos devem ser necessárias para diminuir as necessidades de financiamento de curto prazo e fornecer uma ponte até um momento em que as vendas de ativos materiais possam ser realizadas.

"Ainda assim, é provável que leve de três a cinco anos para restaurar a saúde financeira completa", calculam os analistas.

O BofA ML agora espera investimentos de 126 bilhões de dólares para o período de 2015 a 2019, contra estimativa anterior de 144 bilhões de dólares. O efeito dessa redução será a provável redução do crescimento da produção média de óleo e gás para 3 por cento ao ano até 2020 ante expectativa precedente de 3,6 por cento.

Segundo duas fontes da empresa ouvidas pela Reuters em 10 de setembro, o plano de investimento de cinco anos da Petrobras, divulgado em junho deste ano, ficou obsoleto rapidamente e precisará ser revisto, com a queda dos preços do petróleo e o real fraco, além do rebaixamento do rating de crédito pela Standard & Poors para grau especulativo, que eleva o custo da dívida da petroleira.

McGann e Falanga Neto consideram que, apesar da capacidade limitada para reduzir a dívida para níveis sustentáveis sem vendas consideráveis de ativos, o ambiente de fracos preços de petróleo e a incerteza econômica e política no Brasil estão

colocando mais pressão sobre outras fontes de fluxo de caixa.

O relatório destaca que os preços de gasolina e diesel são uma variável decisiva para a Petrobras e que elevá-los deixaria tudo mais fácil.   Continuação...